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Quinta-feira, 04.08.11

INEM admite falta de operacionalidade de viaturas médicas, mas rejeita responsabilidades

Lisboa, 03 ago (Lusa) - O presidente do INEM reconheceu hoje que existe inoperacionalidade nas viaturas de emergência rápida devido à falta de pessoal, mas refutou responsabilidades do instituto nesta matéria, assegurando ter cumprido todas as competências que lhe estão atribuídas.

Na comissão parlamentar de Saúde, Miguel Soares de Oliveira falou do protocolo de colaboração entre o INEM e os hospitais, especificando que ao primeiro compete dar formação, disponibilizar equipamentos e viaturas, e o segundo assegurar a existência de médicos.

Contudo, acrescentou que nem todas as Viaturas Médicas de Emergência Rápida (VMER) estão cem por cento operacionais.

"Ou o INEM forma poucos médicos ou os hospitais disponibilizam poucos, porque o principal problema é a falta de pessoal", afirmou, acrescentando logo de seguida que "do ponto de vista da capacidade formativa" o INEM está "muito acima".

A falta de tripulação médica, que origina os elevados períodos de inoperacionalidade de algumas VMER, não tem origem na falta de formação fornecida pelo INEM a estes profissionais, segundo o instituto.

Atualmente o INEM dispõe de 42 VMER em todo o país, mas no primeiro semestre deste ano 22 estiveram inoperacionais cerca de dois por cento do seu tempo e nove estiveram inoperacionais entre dois e dez por cento do seu tempo.

A falta de tripulação é o principal motivo de inoperacionalidade, sendo que a escala da tripulação destes meios é da responsabilidade do hospital onde se encontra inserida, afirma o INEM.

Os dados do instituto revelam que os 755 médicos formados pelo INEM dariam para assegurar uma operacionalidade de cem por cento de cerca de 126 VMER, o que "demonstra que o atual modelo de funcionamento está esgotado e é necessário alterar o seu paradigma".

Por isso, Miguel Soares de Oliveira defende que a "melhor solução" é a integração das equipas de VMER nos serviços de urgência dos hospitais, mas não explicou por que é que isso ainda não acontece.

À semelhança do que está a ser desenvolvido para as ambulâncias SIV (serviço imediato de vida) que estão a ser integradas nos Serviços de Urgência Básica (centros de saúde), é prioridade do INEM integrar as VMER nos serviços de urgência dos hospitais em que se encontram inseridas.

"Desta forma tornar-se-á possível partilhar recursos, reduzir custos e garantir a operacionalidade das VMER a cem por cento", disse.

Miguel Soares de Oliveira referiu ainda o registo clínico eletrónico e o sistema de geo-referenciação e navegação que já estão disponíveis nas viaturas do INEM.

Estes meios informáticos que funcionam em rede cortam em tempo vital para atendimento dos doentes, afirmou, especificando que basta ligar o computador quando se entra na ambulância.

O registo clínico eletrónico permite passar automaticamente a informação recolhida no CODU (centro de atendimento das chamadas de emergência do INEM) para os meios no terreno, o imediato registo clínico do incidente de forma eletrónica e o envio da informação recolhida no local para o hospital de destino.

Com o mapa de geo-referenciação, a rota até ao local onde está a vítima é automaticamente traçada, tal como o seu caminho até ao hospital de destino.

Miguel Soares de Oliveira adiantou que o próximo objetivo é equipar com estes computadores as ambulâncias dos bombeiros.


@Lusa

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por Diário de um Bombeiro às 21:01


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