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diariobombeiro



Sábado, 27.08.11

Vila Franca de Xira: Tragédia na estação da CP de Póvoa de Santa Iria [C/Video]

Pai arrasta filho para a morte

Anildo, 40 anos, deprimido com separação da mulher, pegou em Duarte, 6 anos, ao colo, e saltou para a frente de comboio. Foram ambos trucidados.

Duarte, pequeno futebolista de seis anos, e o pai, Anildo Soares, 40, eram vistos com frequência na estação da CP da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira. Ontem chegaram juntos pelas 11h10, Anildo comprou bilhete e levou o filho até à plataforma – onde caminhou na direcção de um Intercidades que se aproximava a alta velocidade. Pegou no menino ao colo, saltou para a linha e foram ambos colhidos pelo comboio a 150 km/h – os dois corpos despedaçados ficaram espalhados pela via férrea.

A tragédia deixou em choque passageiros e funcionários da CP, que não conseguiram evitar o homicídio seguido de suicídio. E a explicação chegou mais tarde pelos vizinhos e polícia. O trabalhador da construção civil, cabo-verdiano, estava deprimido na sequência do processo de separação da mulher, Raquel, e era conhecido no prédio onde vivia por ser "uma pessoa reservada".

A mulher e mãe das vítimas, ainda a residir no prédio da avenida D. Vicente Afonso Valente, na Póvoa de Santa Iria, entrou em choque quando soube da tragédia e está a receber apoio.

Elisabete Pereira, vizinha da família, recordou ontem ao CM a "alegria do pequeno Duarte". O menino jogava na academia de futebol do Sporting, na Póvoa de Santa Iria.

Uma outra vizinha terá sido das últimas pessoas a ver Anildo com vida, na manhã de ontem. "Eram 10h00 quando uma pessoa aqui do prédio me contou que o viu passar sozinho e que ele disse ‘Até qualquer dia’", acrescentou Elisabete Pereira.

As palavras não levantaram desconfiança, mas terá sido logo de seguida que Anildo, já acompanhado pelo filho, começou a caminhar em direcção à estação. Fonte da CP disse que o trabalhador da construção civil comprou bilhete para o comboio, em direcção a Vila Franca. "Vi-o a passar por aqui e até parou para mandar o menino andar. O Duarte era colega do meu filho no futebol", recorda Luís Henrique, comerciante na estação.

Momentos depois, "um estrondo enorme". As câmaras da CP captaram o momento em que Anildo pegou no filho ao colo e se lançou para a frente do comboio Intercidades, que seguia do Porto para Lisboa.
Os dois cadáveres, recolhidos pela PSP, serão autopsiados no Instituto de Medicina Legal.

RAPAZ TREINAVA NO SPORTING

Duarte Delgados dos Santos Soares, de seis anos, jogava futebol nas escolas de formação do Sporting, no campo do Povoense, Póvoa de Santa Iria. "Ele jogava com o meu filho e são divertimentos que eles fazem. Prática física", explicou ao CM Luís Henrique, pai de um amigo do pequeno Duarte.
"ESTAVAM A DIVORCIAR-SE MAS ERAM RESERVADOS"
Duarte dos Santos Soares morava com os pais no 1º esquerdo do nº 39 da avenida D. Vicente Afonso Valente, na Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira. O pequeno, que faria sete anos no princípio de Dezembro, era a alegria dos pais e até de muitos vizinhos.
Os pais estavam em ruptura, motivo da depressão profunda em que caiu Anildo. "Sei que estavam quase a divorciar--se", disse ao CM uma fonte próxima da família. No entanto, Duarte era ainda uma criança risonha. "Era o meu melhor amigo", recordou Miguel, pequeno vizinho de Duarte e colega de escola do mesmo. Apesar da separação iminente, Raquel estava em casa. No entanto, "há muitos dias que não se deixava ver pelos vizinhos". Sabe-se que deixou a biblioteca da Junta de Freguesia da Póvoa de Santa Iria há nove anos, mudando-se profissionalmente para Lisboa.

DISCURSO DIRECTO
"DISTÚRBIO PSICÓTICO": Carlos Amaral Dias, Psiquiatra

CM – O que pode explicar esta atitude de um pai?
Carlos Amaral Dias – Ele terá feito um distúrbio psicótico que envolve o filho, ou uma perturbação depressiva que pôs em causa o menino. Parece-me que ele terá interpretado de uma forma delirante a relação entre ele e a criança.

– É frequente uma depressão, resultante de um divórcio entre casais, conduzir a um desfecho destes?
– Não. Neste tipo de situações, os casos mais recorrentes são os de homens com armas que matam uma ou mais pessoas e depois suicidam-se. Os problemas psiquiátricos são, no entanto, os mesmos.

fonte: CM

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por Diário de um Bombeiro às 01:34


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