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diariobombeiro



Segunda-feira, 15.08.11

“O meu pai queria dar-nos o melhor”

Se "alguma coisa de grave lhe acontecesse", António Rui Nunes, 38 anos, já avisara a companheira de que seria o seu comandante nos Bombeiros da Mealhada, onde prestava serviço, a dar-lhe a notícia. Ontem, assim que António Lousada bateu à porta da família, às 05h00, Cristina "ficou em choque" ainda antes de lhe contarem que o seu companheiro se sentiu mal e morreu quando ia socorrer as vítimas de um acidente na A1.
"Foi horrível. Nós nem sequer tivemos reacção – ficámos em choque", descreve ao CM a filha do bombeiro, Sofia Nunes, 18 anos, que estava em casa, na Mealhada, com o irmão de 14 anos e a companheira do pai.
António Rui Nunes era o condutor da terceira ambulância que foi accionada para um despiste, às 03h05, na A1, entre a Mealhada e Aveiro-Sul, com dois feridos. À entrada da auto-estrada, sentiu-se indisposto e já só teve tempo de encostar a viatura ao separador, diz o comandante António Lousada.

Os dois colegas que o acompanhavam em serviço, apoiados por outros elementos daquela corporação, tentaram reanimá--lo até à chegada aos Hospitais da Universidade de Coimbra, mas não resistiu. Só a autópsia poderá revelar as causas da morte.

Bombeiro voluntário há cerca de 17 anos, António Rui Nunes era funcionário de uma empresa de transportes, a Transdev, em Coimbra, onde exercia a função de fiscal. A vítima deixa três filhos, dois dos quais menores.

A mais velha, 18 anos, e o rapaz, de 14, viviam com ele e com a sua companheira. A terceira filha, de 12 anos, reside com a mãe, da qual António Nunes estava divorciado. "Os filhos ficam agora numa situação de dificuldade", lamenta Lídia Malta, mãe da vítima. "O meu pai era um lutador, tentava dar-nos o melhor", diz Sofia Nunes, visivelmente abalada.

"DESDE MENINO QUE SONHAVA SER BOMBEIRO"

Filho de um bombeiro voluntário, António Rui Nunes alimentava desde criança o sonho de vir um dia a fazer parte da corporação da Pampilhosa, Mealhada, onde o pai prestou serviço durante cerca de 40 anos. "Desde menino que sonhava com isso", recorda a mãe, Lídia Malta. Aos 20 anos, concretizou o desejo. As duas irmãs seguiram-lhe as pisadas, mas acabaram por desistir. Só ele continuou. Primeiro nos Voluntários da Pampilhosa, vila onde a família reside, e desde há cerca de três anos na Mealhada, para onde foi morar. "Era uma pessoa dedicada aos outros e muito activa", lembra Helena Lopes, prima da vítima, que está agora a cuidar da filha mais velha, enquanto o rapaz de 14 anos está com outros familiares.  

BANDEIRA A MEIA HASTE EM DUAS CORPORAÇÕES

A bandeira está desde ontem a meia haste nas duas corporações onde António Rui Nunes foi voluntário: Mealhada e Pampilhosa. Nos quartéis, o ambiente é de dor . "Perdemos um elemento extremamente importante", lamenta António Lousada, comandante dos Voluntários da Mealhada, onde a vítima tinha ingressado há cerca de três anos. Antes fora voluntário nos Bombeiros da Pampilhosa, onde é recordado como um "bombeiro exemplar" pelo chefe Diamantino de Oliveira. "Aos toques da sirene, era dos primeiros a chegar", recorda.

fonte: CM

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por Diário de um Bombeiro às 10:50


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