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diariobombeiro



Sábado, 27.11.10

Porto: Sapadores à Beira da Ruptura

Em documentação recente, a que o JN teve acesso, o comandante do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto diz que há uma "grave escassez de recursos humanos". O próprio tenta desmontar a ideia, assumindo sintonia com a Câmara.

Escreveu o tenente-coronel de Engenharia Carlos Luís Costa, a propósito do requerimento de ajustamento de horário feito por um bombeiro, ao abrigo do estatuto do trabalhador-estudante: "Não há possibilidade de proceder a um ajustamento ao seu horário, dado que já é um horário especial - por turnos. Há inconveniência para o serviço pela actual grave escassez de recursos humanos, o que significa que, para a maioria das dispensas de um bombeiro trabalhador-estudante, corresponde a desarticulação da estrutura operacional prevista para esse turno".

O parecer do comandante do batalhão entronca em questões, relacionadas com o quadro, que foram levantadas, a 18 do corrente, na sequência de uma reunião do vereador Manuel Sampaio Pimentel com dirigentes associativos do sector.

Na altura, o presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, denunciou carências, estimando em 500 elementos o quadro ideal do batalhão. Em contraste com os 280 actualmente previstos, sendo que há actualmente 185 efectivos, a que 30 recrutas se juntarão no início de 2011. Em meados do ano que vem, e não em Fevereiro, como então disse o vereador, 30 outros elementos deverão ser recrutados.
Ouvido pelo JN, Carlos Costa, que faz questão de dizer que está em "sintonia com o vereador" da tutela, diz que a ideia de 500 elementos "é um absurdo, pois corresponderia a metade do efectivo de Lisboa, onde as necessidades são muito maiores", e que o quadro previsto, pensado de acordo com a norma internacional de um bombeiro para mil habitantes, é suficiente.

Embora não negue que o número de habitantes não pode ser o único factor a ter em conta (há a população flutuante, a rede viária e o aumento do tráfego, a degradação do edificado...), nota que "é um rácio que serve como alinhamento".
No parecer referido, porém, classifica a escassez de "grave", indo ao encontro do que dizem os representantes dos bombeiros. Embora não o interprete da mesma forma.
No caso dos trabalhadores-estudantes, que têm dispensa em dias de exames e nas vésperas, mas não vêem deferido o ajustamento de horário para assistir a aulas (cinco horas semanais), a justificação prende-se com os turnos e com a impossibilidade de substituir gente, pois isso significaria o pagamento de horas extraordinárias, contrariando as regras da Câmara.

No Batalhão, as queixas ouvem-se à boca pequena. Ninguém dá a cara. Mas algumas das reclamações acabam por confirmar-se pela forma como o comandante as desmente. Assim é com a formação, que os bombeiros e seus representantes apontam como grave lacuna.
Carlos Costa destaca que a instrução é diária, no seio do batalhão, e que os chefes têm formação, que usam para transmitir aos restantes. Porque, justamente pela falta de gente, é impraticável mandar grupos à Escola Nacional de Bombeiros, em Lisboa. A formação porta a porta, que tem sido discutida, seria "o cenário ideal".

in JN

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por Diário de um Bombeiro às 16:16


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