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diariobombeiro



Quinta-feira, 08.09.11

Bombeiros...até quando?

Penso que todas as crianças ou quase todas, há alguns anos atrás, quando lhes perguntávamos o que queriam ser quando fossem grandes respondiam que queriam ser ou bombeiros ou polícias. Hoje já nem sei bem se responderão a mesma coisa, penso que muitos preferirão sonhar com profissões onde possam ganhar dinheiro e ter uma vida melhor do que aquela que os pais têm.

Lembro-me como se fosse hoje quando o meu filho aos dezasseis anos, me disse que gostava de ser bombeiro e que se ia inscrever. Fiquei surpreendida, contente e orgulhosa como mãe, porque via naquela intenção um sintoma de altruísmo e entrega.
Apesar de hoje ter uma profissão que nada tem a ver com os bombeiros, sempre que pode, passa pelo quartel e se é preciso e tem disponibilidade ajuda, de dia ou de noite conforme o que for necessário. Gosta sobretudo do trabalho de socorro, em caso de acidentes ou doença.
Por graça os e as colegas chamam-lhe " O nosso bombeirito".

Admiro o trabalho de todos aqueles que sobretudo no Verão arriscam a vida combatendo os incêndios por essas serras fora, uns voluntários, outros assalariados , mas todos eles com um espírito de servir louvável e que já vai caindo em desuso nos dias que correm.

Não fiquei surpreendida quando hoje li das dificuldades económicas que estão a passar as corporações de bombeiros, há muito que é assim e não é por estarmos em crise, pela Troika, pelo Sócrates ou Passos Coelho que as coisas estão no estado que estão, o problema vem de há muito e penso que se aproveita esta fase de penúria que atravessamos para mais uma vez noticiar o que muita gente já sabe.

Habituámo-nos a ver sobreviver muitas corporações à custa de peditórios e donativos. Ser bombeiro ontem é muito diferente de hoje só se mantém o espírito de ajuda e a coragem, sejam voluntários ou não.

Hoje é exigido a um soldado da paz, muita formação, muitas horas de prática, de estudo e reciclagens periódicas feitas com muito rigor.
Já lá vai o tempo em que bastava saber pegar numa mangueira, conduzir uma ambulância, ou ter o mínimo de conhecimentos de primeiros socorros. Muitos entravam porque era fácil, tinham ali um ganha pão assegurado, mesmo que fosse pouco. Outros faziam-no mesmo com espírito de entreajuda e vocação sem receberem um tostão, actualmente é dada uma esmola aos voluntários quando vão combater incêndios no Verão, recebem a módica quantia de um euro e sessenta à hora.

Penso que está na altura de olharmos para os bombeiros, não como uns coitadinhos, mas dignificando-os como merecem e que sejam respeitados como pessoas e cidadãos o que não tem acontecido até aqui e muita gente só se lembra deles no verão, quando há catástrofes, ou acidentes muito graves.

Desejo sinceramente que não seja necessário que caia um pilar na Assembleia da República, ou haja uma explosão no Ministério da Saúde para que as entidades competentes acordem de uma vez por todas e resolvam acabar com a miséria a que se tem vindo a assistir por esses quartéis fora.

E agora sentada aqui recordo o meu bombeirito quando me contava as peripécias de um desencarceramento que fez depois de um acidente, da procura de corpos através de mergulho no Rio Tejo, de alguém que salvou no mar, no incêndio que combateu dia e noite, nos idosos que lhe ficaram nos braços a caminho do hospital, e noutros que se salvaram. Desculpem a presunção , mas tenho muito orgulho nele, mas mãe é assim.

Fonte: sentaqui.blogs.sapo.pt

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por Diário de um Bombeiro às 18:04



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