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diariobombeiro



Quarta-feira, 20.04.11

Jorge de Jesus – "Cresci como homem e como bombeiro ao longo deste tempo na Associação Humanitária"

Jorge Miguel Pereira de Jesus, cantanhedense de 39 anos, é o novo comandante dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede (BVC). Entrou em funções no dia 17 de abril e vai exercer o cargo durante os próximos cinco anos.
É economista e conta com 24 anos de ligação a esta corporação de bombeiros. A primeira vez que enverguei a farda dos BVC foi no dia 25 de julho de 1984, como elemento da fanfarra no desfile de S. Tiago (no feriado municipal de Cantanhede).
Em 2007 integrou o comando dos BVC como adjunto de comando, o que “permitiu-me experienciar de perto o desafio de ser comandante”. Realizou curso de comando, curso do INEM, curso de salvamento e desencarceramento, entre outras variadas formações.
Ao longo dos anos foi distinguido com as Medalhas de Assiduidade da Liga dos Bombeiros Portugueses, respectivamente, nos Graus Cobre, Prata e Ouro. Tendo também recebido a Medalha de Grau Ouro de Bons e Efetivos Serviços Prestados à Causa dos Bombeiros Portugueses, da Liga dos Bombeiros Portugueses.
“Tenho confiança no futuro dos Bombeiros de Cantanhede. Estou certo de que juntos seremos capazes de cumprir com dedicação e lealdade as missões que nos forem confiadas. Seremos capazes de vencer tormentas e continuar a obra dos nossos ilustres antecessores, servindo o concelho de Cantanhede”, conclui Jorge de Jesus. 


Como encara a função de comandante dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede? Como se sente?
A minha passagem pelo comando como ajunto permitiu-me experienciar de perto o desafio de ser comandante. As responsabilidades, as preocupações, as exigências e todos os aspectos que rodeiam este tipo de cargo.
Como me sinto?!?! É uma honra e um privilégio e é com elevado sentido de responsabilidade, espírito de missão e grande entusiasmo que assumo esta função.
É com bem-estar que encaro este desafio, pois considero que os homens e mulheres que terei de comandar são detentores de um enorme espírito de entre ajuda, assim como de responsabilidade, dedicação e modéstia com que enfrentam o voluntariado.
Sinto que existe uma grande dinâmica, motivação e competência nos novos órgãos sociais, tal como se tem verificado em anteriores mandatos, facilitando a minha missão como comandante.

Teve que fazer alguma formação específica para ser comandante?

Sim, claro. Frequentei um curso de Comando, específico para este tipo de cargos, composto por quatro módulos distintos: Organização Jurídica, Administrativa e Operacional; Incêndio Florestais; Incêndio Urbanos e Industrias e Organização de Postos de Comando. Para além disso, frequentei outros cursos de formação noutras áreas, nomeadamente saúde (curso de INEM) e salvamento e desencarceramento.

Quais as suas ambições e qual é o maior desafio que terá pela frente?

Ambiciono honrar o legado dos meus antecessores, respeitando, desta forma, todos os elementos que contribuíram, mesmo de forma anónima, para a grandeza da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede.
O maior desafio será manter a coesão entre todos os elementos que compõem este corpo de bombeiros.
O meu propósito é otimizar as competências profissionais dos bombeiros que prestam serviço nesta associação, incrementar o seu espírito de missão e dar continuidade à excelência da sua formação.

Conhece bem a “família” dos bombeiros de Cantanhede e a sua dinâmica?

Durante o percurso dos meus 24 anos como elemento dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede, acompanhei a evolução da corporação e tive o privilégio de dar o meu pequeno contributo para a associação cumprindo o lema dos Bombeiros: “Vida por Vida”.
Cresci como homem e como bombeiro ao longo deste tempo na Associação Humanitária, compartilhando com todos os elementos as exigência do voluntariado (ocorrências, formação, etc.).
A estrutura física e humana não são uma incógnita para mim, pois o “know-how” (saber) adquirido ao longo dos tempos, como membro do corpo ativo e como membro do comando, permite-me afirmar que as únicas dúvidas sobre esta casa e esta família são as que irão surgir futuramente.

Quais as maiores dificuldades da corporação?

As maiores dificuldades do momento são derivadas da atual conjuntura económica pela qual o nosso país atravessa. Aumento dos combustíveis, redução dos serviços de transporte e outros aspectos relacionados. Saliento que nos podemos considerar uma corporação organizada, estruturada e consciente dos problemas que nos poderão vir a afetar, havendo desta forma uma gestão rigorosa dos recursos existentes.

O que pensa manter e alterar no funcionamento do quartel?

A estrutura de funcionamento diária do quartel cumpre regras pré-estabelecidas para o efeito, não havendo grande necessidade de mudança. No que concerne ao voluntariado, gostaria de proporcionar ao corpo ativo formações nas mais diversas áreas, com a introdução de metodologias mais recentes, práticas e evoluídas, assim como a criação de um centro de formação apropriado às necessidades de hoje. Esta ideia foi partilhada e impulsionada pelos novos membros da direção, havendo comum acordo sobre a matéria.
Gostaria, de igual forma, de tornar a associação mais “aberta” fortalecendo as relações com exterior, designadamente com as empresas, as juntas de freguesia, escolas e com a sociedade civil em geral.

Porque decidiu ser bombeiro?  
O grande impulsionador desta paixão foi o meu pai. Foi bombeiro desta associação, chegando a receber a medalha de mérito protetor dos animais, devido ao número de salvamento de animais que proporcionou. De igual forma, o círculo de amigos com quem sempre convivi desde miúdo, pertenciam à corporação. Sempre tive intenção e vontade de integrar esta família, seguindo desta forma as pisadas do meu pai.
 
Decidir ser bombeiro…
Não foi uma tomada de decisão, sempre me lembro de querer ser bombeiro e de poder ajudar os outros. Não foi algo que apareceu de repente, mas sim algo que sempre fez parte da minha vida.

Qual é a melhor parte e a mais difícil de ser bombeiro?

Como tudo na vida, existem coisas melhores e piores. A melhor, poderei dizer com toda a certeza, é quando uma missão em nós confiada corre pelo melhor, assim como aconteceu há poucas semanas, aqui mesmo no nosso quartel, quando uma senhora deu há luz um lindo menino com a ajuda dos nossos bombeiros. É disso que trata a vida do bombeiro voluntário, ajudar os que necessitam. Mas este foi um exemplo feliz, pois o reverso da medalha é bastante penoso. Tentar salvar a vida de um ser humano e não conseguir ser bem-sucedido é dos piores momentos que podemos encarar.

por por Joana Fulgêncio
fonte: Independente de Cantanhede

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por Diário de um Bombeiro às 16:46


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