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diariobombeiro



Terça-feira, 20.03.12

Mais de 150 hectares ardidos num incêndio no pulmão da Corujeira


Responsável pela protecção civil no concelho, Orlando Alves defende o trabalho laborioso dos bombeiros, verdadeiro garante de uma missão muitas vezes inglória face ao que acontece. “Penso que isto só se altera quando um dia os bombeiros se cansarem… porque são voluntários e deixam o conforto do seu lar, da família e das suas horas de descanso para ir acudir às mais diversas ocorrências. Isto só terminará quando os bombeiros disserem: não, eu também tenho direito a ter os meus momentos de folga! É um desabafo sentido, redutor, contristado, um desabafo até politicamente incorrecto, mas eu não sei viver num Mundo onde convivo com pessoas que, pela calada da noite, vão chegar fogo ao monte”, desaba o político.


Orlando Alves, vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre, tece duras críticas ao sucedido. Entrevistado no gabinete autárquico, o também vereador da cultura do município barrosão está inconformado com mais este episódio verificado no território: “foi uma ocorrência lamentável. Somos o país campeão do Mundo a destruir a nossa riqueza. Andamos de mão estendida a pedir dinheiro emprestado ao Mundo e, internamente, destruímos, queimamos, reduzimos a cinza o nosso património. É triste, é complicado, é difícil… não vejo a solução para isto. Portugal é o único país do Mundo que tem a designada época dos fogos florestais. Dá a impressão que é uma inevitabilidade”.


“O que é isto?”, perguntamos ao técnico responsável pelo gabinete florestal da Câmara Municipal de Montalegre que nos acompanhou nesta reportagem de rescaldo ao mega incêndio ocorrido nas imediações da vila de Montalegre e que alastrou para terrenos de aldeias circunvizinhas. O espanto pelo manto negro foi devastador. Por muito que se oiça ou observe as imagens, só ao pisar o chão negro e inalar o fumo que ainda verte é que sentimos o grito da natureza.

Arderam mais de 150 hectares, entre mato, pinhal e espécies folhosas, no pulmão da Corujeira, nas imediações da vila de Montalegre. Entre lamentações e críticas, há muita impotência para encontrar o rosto de mais este atentado ambiental. Aplauso para os “soldados da paz” que tudo fizeram para que esta história não fosse ainda mais trágica.


Na viagem percorrida, o cheiro é arrepiante. Ao todo são mais de 150 hectares de terra queimada. Um horizonte, preto, que verga o mais insensível. Luís Francisco, técnico superior que lidera o gabinete florestal da Câmara de Montalegre, ainda está incrédulo com o que observa. Ele, que tinha estado no dia anterior junto da corporação dos bombeiros de Montalegre, é testemunha privilegiada na narração. “Lamento por toda esta área ardida nas proximidades da vila e pelos números bastante elevados de ocorrências e área ardida que se tem verificado no presente ano no nosso concelho. Sinto repúdio pelo comportamento recorrente de quem não respeita o património natural e põe em causa valores inestimáveis. Gostaria de deixar uma palavra de apreço pelo trabalho dos “soldados da paz” que evitaram um mal maior ao conseguir travar o fogo nas imediações da mata da Corujeira e deixo um apelo à população para que adopte comportamentos preventivos e que, tendo em conta o ano de fraca precipitação que estamos a atravessar, não faça uso do fogo nas imediações da floresta”.

“Somos o país campeão do mundo a destruir a nossa riqueza!”

“Mobilizemo-nos todos, vamos passar noites no monte”

Com uma vida associada aos bombeiros, Orlando Alves constata que “agora virou moda: tanto arde no Verão como no Inverno. [...] É a mão criminosa que anda aí. É a inconsciência e com inconsciência não se constrói o futuro. Repare nisto… a pretexto de arranjar mais uns metros quadrados de pastagem para meia dúzia de cabeças de gado… porque cada vez há menos gado… destruiu-se um pulmão de Barroso, um naco precioso da nossa paisagem rural”.

Daí que Orlando Alves lance um desafio: “deixo aqui um apelo às organizações cívicas, culturais, aos jovens do concelho de Montalegre… mobilizemo-nos todos, vamos passar noites no monte, vamos defender a floresta… não custará assim tanto! Se há dezenas ou centenas de criminosos no nosso território, no nosso concelho, que não têm escrúpulos de chegar fogo ao monte e que não sabem que ao chegarem fogo ao monte não ardem só as árvores”.


fonte: Diário Actual

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por Diário de um Bombeiro às 10:18


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