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diariobombeiro



Terça-feira, 04.01.11

Segunda-feira é Dia de Confusão na Urgência do "Santo António"

Ambulâncias em fila e sala repleta de doentes
Todas as segundas-feiras de manhã, o movimento na Urgência do Hospital de Santo António, no Porto, sobe em flecha. Após fins-de-semana prolongados e festas, o cenário complica-se. Ontem, entre as 9.30 e as 11.30 horas, houve períodos de grande confusão.
Pouco depois das 11 horas, havia 13 ambulâncias paradas numa fila que chegava quase até à rua. Algumas com doentes no interior, a aguardar vez para entrar. Chegou a ser necessário chamar a PSP para desobstruir o trânsito. Lá dentro, a sala de espera estava repleta de doentes e acompanhantes e com meia dúzia de macas a atravancar as passagens.
Quem passou no Serviço de Urgência ontem de manhã garante que nunca viu nada assim. Arnaldo Neves, socorrista de uma ambulância de Aveiro, não tinha dúvidas: "Hoje é o pior dia, trago uma doente que está há mais de duas horas para entrar", referiu. "Nunca vi tanta confusão, não sei o que se passa", constatava Fátima Correia, após três horas à espera do marido. "Os corredores estão cheios de macas, é degradante", acrescentava Conceição Lopes, à saída do serviço.
A direcção clínica desvaloriza e garante que todas as segundas--feiras de manhã há picos de afluência, sobretudo no Inverno, após fins-de-semana grandes e períodos de festas. No último fim--de-semana, o movimento foi tal que houve necessidade de pôr médicos especialistas de áreas menos solicitadas a dar apoio à área médica da Urgência, de modo a desobstruir o serviço, revelou Paulo Barbosa, director clínico do Hospital de Santo António. O director do serviço, Humberto Machado, faz um apelo: "Deixem a Urgência para quem de facto precisa dela".
Mais 100 casos por dia no Natal
O pedido baseia-se em números: a Urgência do Santo António recebe uma média de 370 doentes por dia, mas às segundas-feiras atende mais de 400. No passado dia 27, logo após o Natal, registou 463 entradas, mais 22 do que na segunda-feira correspondente de 2009. Ontem, a afluência terá sido semelhante. O problema é que dos 370 doentes diários da Urgência, pelo menos metade não são urgentes e apenas 9 % ficam internados. Os doentes com pulseiras vermelhas e laranjas são 40 a 50 por dia. Os com pulseira amarela são perto de 150, mas metade são "amarelos-esverdeados", realça Paulo Barbosa.
"As segundas-feiras são sempre muito difíceis", reconhece o responsável, apontando múltiplos factores. Para além dos surtos gripais próprios da época, há quem vá à Urgência para conseguir a declaração médica exigida no emprego e quem se apresente com sintomas de há 15 dias. O "Santo António" acolhe também grande número de idosos que, depois de um fim-de-semana sozinhos, aproveitam a segunda-feira para ir à Urgência com um familiar. De resto, o "Santo António" ganhou mais 4 % de doentes desde que passou a ser o hospital de referência do concelho de Gondomar.
"A Urgência não é um centro de diagnóstico, aqui morrem pessoas. Temos de estar concentrados nos doentes vermelhos, laranjas e alguns amarelos", defende Humberto Machado, pouco preocupado com as horas de espera de doentes azuis e verdes, que deviam ter ido ao Centro de Saúde ou ao SASU. A população do 'Santo António' está quase toda coberta por médico de família.
Ambulâncias não usam parque de estacionamento criado há um ano
Cinco ambulâncias do INEM, três dos Bombeiros de Valbom, duas dos Portuenses, uma dos Bombeiros de S. Pedro da Cova, uma de Mirandela e outra de Chaves. Treze ambulâncias entupiram, ontem de manhã, a porta da Urgência do "Santo António". Paulo Barbosa, director clínico do hospital, não encontra explicação. "Por sugestão dos bombeiros, criámos um parque específico para estacionar estas ambulâncias, mas não o usam. Como o típico português, preferem estacionar à porta", critica. As ambulâncias deixam os doentes na Urgência e ficam a aguardar a devolução das macas e dos equipamentos para imobilizar os doentes e pelos comprovativos de transporte.
O novo parque é subterrâneo, tem um elevador de acesso directo para a triagem da Urgência e capacidade para um mínimo de oito ambulâncias, mas está "quase sempre vazio". "Não há justificação para o engarrafamento de ambulâncias", garantiu Paulo Barbosa, lembrando que, há cerca de um ano, foi dado conhecimento às corporações de bombeiros da abertura do parque. Aquele espaço, com acesso pela Rua da Restauração, é também para uso das ambulâncias que vão buscar doentes transportados pelo helicóptero do INEM até ao heliporto de Massarelos, na marginal do Douro.

in: JN

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por Diário de um Bombeiro às 09:41



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