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diariobombeiro



Sexta-feira, 24.06.11

Carro de Desencarceramento dos Bombeiros de Lousada Chega Até ao Final do Ano

O tão ansiado carro de desencarceramento, há muito uma prioridade dos Bombeiros Voluntários de Lousada, deverá chegar até ao final deste ano. A informação foi avançada pelo presidente da direcção durante as comemorações dos 85 anos da corporação, este domingo.

Segundo Tavares de Oliveira, outra das prioridades a ter em conta nos próximos anos é a construção de um novo quartel, já que o espaço actual é exíguo e desajustado às necessidades dos soldados da paz, quer em termos de meios humanos quer materiais.

Durante as cerimónias, que decorreram no centro da vila, foi benzida uma nova viatura de combate a incêndios urbanos e industriais e atribuídas várias condecorações, perante a presença de diversos convidados e instituições. A corporação lousadense recebeu ainda o Crachá de Ouro da Liga de Bombeiros Portugueses.

Formação da Escola Nacional de Bombeiros "é escassa"

Já durante a sessão solene, no salão nobre do quartel, houve lugar às intervenções. Cada vez mais, explicou Alberto Barros, o comandante em exercício dos Bombeiros de Lousada, se pede aos voluntários mais que disponibilidade. Isso, defendeu, exige mais formação e "é escassa" a que tem sido levada a cabo pela Escola Nacional de Bombeiros. O comandante deixou ainda ao presidente da Câmara de Lousada um desafio: "Porque não diminuir os custos ou isentar os bombeiros voluntários de determinadas taxas e licenças municipais?". 
 
O presidente da direcção dos soldados da paz lousadenses realçou o significado especial das comemorações, no ano em que foi oficialmente reconhecida a data de fundação da corporação. Destacando uma gestão baseada no rigor e na transparência, Tavares de Oliveira afirmou que a direcção podia ir mais além nos investimentos, mas opta por ser comedida face à conjuntura actual. A viatura de desencarceramento tão aguardada pela corporação, num concelho atravessado por vias de alta velocidade, chega até ao final do ano, através do financiamento do QREN e de fundos dos Bombeiros de Lousada, afirmou o dirigente. Já no quartel, com localização desajustada, falta espaço para recursos humanos e viaturas, pelo que é "imperativa" a construção de um novo, sustentou Tavares de Oliveira.

Por sua vez, Jorge Magalhães caracterizou os Bombeiros de Lousada como a "instituição mais antiga do concelho e aquela que os lousadenses mais admiram". Naquele que é o Ano Europeu do Voluntariado, o presidente da Câmara fez questão de sublinhar os bombeiros como "exemplo notável de trabalho a favor dos outros, em prejuízo da sua própria vida pessoal e profissional".

Presente na sessão, José Campos, da Liga de Bombeiros Portugueses, destacou os 85 anos de história da instituição, frisando que, por ser a única do concelho, esta merece o reconhecimento da autarquia. Com a aproximação do Verão, uma fase crítica, José Campos não escondeu: "Preocupa-nos os incêndios florestais. Mas é preciso desmistificar. Estes são só cinco por cento do trabalho dos bombeiros. Os outros 95 por cento são os serviços de socorro e emergência prestados 24 horas, todos os dias". Também o representante do Comando Distrital de Operações de Socorro sustentou que o trabalho dos soldados da paz vai muito além do combate ao incêndio. Ainda assim, e porque os fogos afectam a economia do país, Artur Teixeira lembrou que estavam a 11 dias de entrar na fase "Charlie", a mais "dolorosa" do ano.

Passar ao quadro de honra depois de 37 anos de voluntariado

Durante as cerimónias, foram distinguidos os soldados da paz que fizeram mais serviços operacionais no último ano. Luís Oliveira, bombeiro de primeira classe que, ao fim de 37 anos de carreira, passou ao quadro de honra, recebeu também uma Medalha.

"Nós não trabalhamos pelas medalhas. Mas é sempre um prestígio ouvir os parabéns", explicou o soldado da paz, de 57 anos, que só abandona o serviço activo por motivos de saúde. Ao natural de Silvares só restavam, de qualquer forma, mais três anos de voluntariado na corporação, já que pela força da lei passaria à reserva aos 60 anos.

Luís Oliveira está desde 1974 na corporação lousadense, tendo no pai e nos tios um exemplo a seguir. E o socorro, afirma, mudou muito nos últimos anos. "Antes poucos carros havia e era tudo muito manual. Num incêndio dificilmente o carro iria até ao local. Tinha que ser apagado com malhos", recorda o soldado da paz. Também no que toca à formação as coisas mudaram muito: "Antes aprendia-se com a prática, no terreno. Aprendia-se só alguma teoria com os comandantes".

Quase quatro décadas de serviço deixam várias marcas e recordações. "Ainda me lembro de andar em incêndios toda a noite e no outro dia de manhã ir trabalhar, na construção civil", tudo para ajudar os outros, sem ganhar nada em troca, explica o lousadense, casado e com dois filhos.

Agora, confessa, sempre que ouvir a sirene vai ficar a pensar "no que será ou não". "Vou sentir falta disto, mas posso ir ao quartel todos os dias, tomar o café, ler o jornal e manter-me sempre a par", diz.

fonte: Jornal Verdadeiro Olhar

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por Diário de um Bombeiro às 17:02


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