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diariobombeiro



Segunda-feira, 27.08.12

Crónica do Bombeiro Manel – Vamos acabar com as tachas

A pedido do meu amigo e camarada do corpo de bombeiros Manel, mais velho, experiente e verdadeiro símbolo da nossa associação, cabe-me hoje escrever umas linhas neste espaço.

O Manel faz parte de uma das gerações de ouro dos bombeiros voluntários portugueses. Ainda os há, muitos, por esses corpos de bombeiros. Cá por cima ainda os vejo todos os dias a dar o seu melhor O peso dos anos não os quebra e, mesmo quando a doença se vinga e os diminui, mesmo assim, continuam a ser dos mais assíduos nos quartéis. Fizeram-se na Universidade da Vida, sem equivalências que lhes facilitasse a vida, mas com obstáculos e dificuldades que os tornaram verdadeiras rochas de determinação, coragem e generosidade. E tudo o que aprenderam na sua vida de luta e sonho trouxeram para os bombeiros e com isso deram alma a estas casas. No passado, as dificuldades vividas em material e equipamentos eram ultrapassadas como era possível mas, como é comum dizer-se, nenhum fogo ficou por apagar.

A nós, geração diferente do Manel e dos seus camaradas, cabe-nos aprender com tudo isso que vem do passado e honrar esses símbolos vivos. Curvo-me perante esses académicos da vida com quem tanto temos aprendido. Académicos que perante nós, em muitas circunstâncias, perante a nossa acrescida preparação e formação académica, continuam a ser uns gigantes de alma e generosidade do tamanho do mundo.

Hoje, estamos em tempos de mudança que marcam novos horizontes e desafios aos bombeiros portugueses. Mas, se aqui chegámos e nos dispomos a novos ventos devemo-lo ao Manel e a outros que antes de nós também lutaram com o fogo e com as adversidades que foram fazendo perigar as nossas associações, como agora acontece.

Por isso, o nosso agradecimento a todos os Maneis deste país por nos terem proporcionado a oportunidade de também podermos ser bombeiros.

Escrevo estas palavras quando leio por aí que as entidades que era suposto tutelar-nos e, ainda mais, ajudar-nos, afinal esquivam-se a conclusões sobre as suas próprias responsabilidades nos incêndios. E, pior, escancaram as portas a atoardas na comunicação social sobre as debilidades do nosso sistema na área do socorro pré-hospitalar devido a razões que a própria tutela não tem cuidado suficientemente de resolver.

Em nome de todos os que já passaram pelas nossas associações e corpo de bombeiros julgo ter chegado o tempo de limpar das entidades que nos rodeiam, as tachas, as nódoas, as vilezas, os estigmas, as lambuzadelas, as fadistices de alguns. Gentes que teimam em mandar porcaria para a ventoinha, como diz o nosso primeiro-ministro.

Está na hora de limpar a ventoinha e o resto. Ninguém gosta de andar com nódoas. Dá um ar sujo, descomposto, desmazelado. E os bombeiros, com o atavio que os caracteriza, são os primeiros desagradados dessa situação.

PS: Qual será a razão pela qual Proença-a-Nova passou a ter meios aéreos pesados. Será que alguém de lá teve influência nisso?
 
 
fonte: Jornal Bombeiros de Portugal

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por Diário de um Bombeiro às 11:32



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