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diariobombeiro



Sábado, 13.10.12

Testamento de Leitura não Recomendada a quem está Habtiuado a ler apenas as "Gordas" do Jornal

Recertificação da Formação de Emergência Pré-Hospitalar, SNS E Serviço de Emergência Médica Português....

Em Portugal ainda não compreendemos que a nossa realidade não é compatível com a obrigatoriedade de recertificação da formação em emergência pré-hospitalar de 3 em 3 anos. Sendo mesmo tal uma discriminação entre classes profissionais de saúde, uma vez que outras classes não estão sujeitas a recertificação.
 
Passámos toda a vida com problemas de recertificação, toda a vida com a maioria dos Técnicos de Ambulância com cartão caducado, até no próprio INEM, mas teimamos em manter algo que nunca será uma realidade em Portugal.
 
Enquanto a obrigatoriedade de recertificação não passar para os 6 anos, for extinta, ou este nível de formação seja ministrado entre o 6.º e o 12.º anos de escolaridade, haverá sempre cartões caducados.
 
Se repartir-mos estas matérias pela vida académica todo o cidadão é TAT ao 7.º ano e TAS ao 9.º ano de escolaridade. As escolas e centros de formação externos ao sistema publico de ensino tem sempre um papel na formação, em especial na especialização que faz falta a estes técnicos, possibilitando dar a componente mais difícil de oferecer pelos estabelecimentos de ensino, a componente da prática especializada. Esta especialização aceite pelo organismo regulador conferiria a diferenciação técnica necessária à progressão na carreira.

A atual formação é pobre em teoria, limitada de prática e dispendiosa na atual conjuntura de crise.

Formar o cidadão técnico de emergência pré-hospitalar no ensino publico entre o 6 e o 9 ano de escolaridade é mais económico, e permite que todas as novas gerações salvem vidas e distingam o doente crítico do não crítico, permitindo-lhes triar e distinguir um caso de emergência de um caso de urgência. Deste modo todo o sistema nacional de saúde seria mais equilibrado, menos saturado com falsas emergências e urgências, e simultaneamente mais económico para o erário público. Obviamente que esta medida permitiria ainda reduzir comportamentos de risco, uma sociedade mais sensibilizada para o risco e autoproteção. Passaríamos a ter somente o SNS mais económico do mundo, o povo mais protetor e protegido do mundo, o povo mais humanista e resiliente do mundo, numa visão global de proteção civil e socorro.

Porque não se faz?
 
Simples! a industria que atualmente lucra milhões com a atual situação, desincentiva de diversas formas as estruturas governamentais de porém este plano em prática. Com menos emergências decresce o serviço para os agentes de socorro, e isto gera desemprego, gera a redução de comercialização de equipamentos e afeta a industria de transformação de ambulâncias, e de todo o equipamento de socorro. Em suma todos os dias alguém morre para alimentar a industria e os agentes de socorro, porque menos sinistralidade é comum ao interesse público mas funesta ao interesse de alguns.

Perguntem ao agente funerário se quer patrocinar uma campanha contra a sinistralidade rodoviária, o tabagismo, ...?!

Perguntem aos agentes de socorro se querem mesmo acabar com as falsas chamadas de falsas emergências que poderiam ir de táxi e despedir 30% do seu pessoal?!

Perguntem à industria das próteses se alinham numa campanha para reduzir a sinistralidade e a oncologia?!

Será que até os próprios Técnicos de Ambulância querem acabar com os serviços de táxi em ambulância e ir para o desemprego?!

Pois é meus caros, lá diz o ditado "nem tudo o que parece, o é"!

Sim precisamos de qualidade, ao invés de amadorismo, custe o que custar e a quem custar. Contudo importa repensar toda a filosofia do SNS como um todo e não isolar o pré-hospitalar que não é mais que uma extensão do hospitalar. Este será o paradigma das próximas gerações, porque as atuais não conseguem destronar os dogmas do poder politico e da industria.
 
Se virmos os agentes de socorro como uma industria com interesses (i)legítimos, veremos as pessoas como vítimas de outras causas.

Digo eu! mas não percebo nadinha disto..
 
João Paulo Saraiva

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por Diário de um Bombeiro às 19:42


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