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diariobombeiro



Quarta-feira, 04.07.12

ALTRUÍSMO E CIDADANIA: O DESAFIO DO VOLUNTARIADO

O altruísmo – a capacidade para agir desinteressadamente a favor dos outros – caracteriza a humanidade desde as primeiras comunidades, tendo constituído fator fundamental de resiliência em condições muito adversas.
O desenvolvimento das sociedades, em particular o contributo das civilizações clássicas no que respeita a noções como cidadania e civitas, permitiu enquadrar o altruísmo num contexto coletivo, e integrá-lo nos costumes e nas tradições.
Ao longo de toda a Idade Média, a cooperação entre vizinhos, as organizações corporativas, fraternidades e associações consolidam o altruísmo como base da solidariedade e segurança das comunidades, que o movimento racionalista europeu, e mais tarde a industrialização, de novo enquadrarão na perspetiva clássica do bem comum e da coisa pública, assumido como parte do contrato social, no contexto da participação cívica e dos deveres e direitos de cidadania.
O voluntariado surge, pois, nas sociedades contemporâneas, com uma longa e riquíssima herança a que as gerações atuais dão novas formas, num quadro que é hoje, já não regional ou nacional, mas global. Muitos são os desafios colocados hoje ao voluntariado: vulnerabilidades coletivas, dificuldades económicas, escassez de recursos, alterações climáticas, conflitos militares, e outros.
A dimensão destes desafios, porém, não deve obscurecer a dinâmica social que tem contribuído para o desenvolvimento e mobilização de inúmeras organizações de voluntários nas mais diversas áreas, designadamente no âmbito da proteção civil. Pelo contrário, constitui fator de mobilização e empenhamento de milhares de cidadãos, homens e mulheres, que, local e internacionalmente, contribuem para o bem comum, de forma desinteressada e generosa.
É neste contexto que se inicia mais uma Fase Charlie, no quadro do dispositivo de combate a incêndios florestais. Ao reforço da organização, dos meios e da qualificação dos intervenientes tem correspondido uma melhoria na resposta e no sucesso das intervenções, a que também não são alheios o empenho
e dedicação dos milhares de voluntários que, de norte a sul do país, participam e dão o seu melhor em prol da comunidade.


Arnaldo Cruz
Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil

Prociv #52

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por Diário de um Bombeiro às 21:42



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