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diariobombeiro



Segunda-feira, 20.08.12

Problemas do Mobile Clinic

Problemas do Mobile Clinic ( O PC Portátil do INEM que veio substituir os antigos Verbetes de Serviços em papel)


O Mobile Clinic é um programa do INEM que funciona num computador marca Panasonic Toughbook CF19.

A ligação é feita por rede GSM, através da internet móvel utilizando para o efeito a plataforma Vodafone.

Objectivava-se que procedimento padrão seria:
1 - O computador emite um alarme, informando da chegada do evento e consequente activação do meio. Como o sistema é falível, o envio do evento é acompanhado por voz através do SIRESP em canal de chamada: "Saída da ambulância X, Saída da ambulância X". Está preconizado que a tripulação deverá enviar Status 1 no SIRESP como confirmação de recepção do evento. Caso contrário, ao fim de alguns minutos e após várias chamadas via SIRESP, o CODU deverá telefonar para o telefone do meio de forma a passar o serviço por esta via.
Problemas: Sendo o sistema falível face à variação da rede móvel em termos de rede de internet (de referir que o portátil tem de estar permanentemente ligado ao servidor), bloqueio do sistema informático por um bug, falha de bateria (tem uma autonomia de 2 a 3 horas), problemas no servidor do INEM, problemas no sistema informático do CODU, etc... é habitual que o evento não chegue ao meio. Por tal motivo, é habitual que se perca muitos minutos na activação de um meio de socorro.
Infelizmente, começa a ser frequente (por excesso de activação de meios), o "esquecimento" por parte do CODU na chamada do meio pelo SIRESP. Neste caso, o meio nunca é accionado.

2 - A recepção da informação clínica é recebida como se um chat se tratasse.
Problemas: Tendo em conta que a informação é aplicada de acordo com os fluxos de triagem, a interpretação da informação clínica torna-se complexa.

3 - O portátil é colocado na ambulância e a ele conectado um cabo VGA que o liga ao sistema de localização do meio de socorro.
Problemas: O cabo VGA, por frágil, os pinos de contacto partem-se com facilidade, para além de ser de difícil conexão em virtude de ser necessário apertar os dois parafusos para que não se desconecte do portátil.

4 - É aberto o INEM Navigator, o programa de navegação do INEM que dá a rota do local onde o meio se encontra para o local e é dado o Status 3 no rádio SIRESP.
Problemas: O INEM Navigator em mais de 90% das ocorrências nunca funcionou de forma eficaz (qualquer GPS de 50€ teria melhor desempenho), tendo em conta que demora o seu login e a rota normalmente não aparece, ou aparece a rota mais longa, ou (o mais normal) o programa não corre. A localização é feita, quase sempre, através de roteiros a papel.

5 - Chegando ao local, dá-se o Status 4 no SIRESP, desconecta-se o portátil do cabo VGA, retira-se o mesmo do suporte e leva-se para o local (que pode ser um 4º andar sem elevador).
Problemas: O portátil é acompanhado da mala de avaliação, a mala de trauma (em situações de trauma), o aspirador, o DAE e a garrafa de O2 para apenas 2 elementos carregarem.

6 - Chegando à vítima, dá-se o Status 5 no SIRESP e inicia-se a avaliação.
Problemas: Porque os dados a preencher no local são muitos, um dos elementos tem de se dedicar ao computador portátil (normalmente o chefe de equipa) enquanto o outro procede à avaliação. Isto torna-se uma assistência mais susceptível a erros pois o mais diferenciado está muito pouco tempo com a vítima em prol do portátil (tal facto é pior quando há uma grande clivagem de conhecimentos como numa VMER - O médico está "agarrado" ao portátil e o enfermeiro ao doente; numa SIV - O enfermeiro está "agarrado" ao portátil e o TAE ao doente; ou numa ambulância - o TAS está "agarrado" ao portátil e o "bombeiro", muitas vezes sem adequada formação, ao doente). De referir que os dados deverão ser enviados para o CODU e para o Hospital de destino antes da vítima ser evacuada (no local), e o mesmo se passa aquando a solicitação de apoio diferenciado. O mesmo apoio deverá ser fundamentado enviando os dados para o CODU. Em caso de solicitação de feed-back, o TAE deve solicitar o mesmo por SIRESP ou por telefone.

7 - A vítima é colocada na ambulância, dá-se o Status 6 no SIRESP, reconecta-se o portátil ao cabo VGA, liga-se o INEM Navigator para que este dê a rota mais curta do local para o hospital de destino.
Problemas: A reconexão do portátil ao cabo VGA tem de ser feito pelo motorista em virtude do TAE vir na célula sanitária, as claras falhas do INEM Navigator já referidas e a impossibilidade do preenchimento no portátil de novas avaliações clínicas (de referir que uma vítima tem de ser avaliada de 5 em 5 minutos - crítica, e de 15 em 15 minutos - não crítica).

8 - A ambulância chega ao hospital, dá-se o Status 7 no SIRESP.
Problemas: Teoricamente, ao chegar ao hospital, baseada na informação enviada por mail para a urgência do hospital de destino; a vítima já:
- Teria sido inscrita no serviço de urgência (isso nunca acontece, tendo em conta a necessidade do administrativo ter de falar connosco);
- Teria sido triada (isso nunca acontece tendo em conta a necessidade do enfermeiro ver a vítima)
Por, frequentemente, o mail não chegar ao hospital de destino, há necessidade de se levar o portátil para o interior da urgência de forma a inscrever o doente e a passar os dados clínicos ao enfermeiro da triagem. De referir também que a política paper free não ocorre pois, cada vez que o mail é recebido é impresso pela triagem para que a informação seja entregue em papel ao enfermeiro da triagem.

9 - A ambulância fica disponível, dá-se o Status 8 no SIRESP.
Problemas: A necessidade constante do portátil se encontrar a carregar em >>>>carregador de isqueiro<<<<...

Em suma:
- Tendo em conta que o SIRESP custou mais de mil milhões de Euros (segundo informação dada há dois anos na Segurex ), é estranho ser utilizada pelo INEM apenas para ordenar os meios para actualizarem STATUS, quando deveria ser o principal meio de comunicação.
- Compreende-se que a ideia de informatizar os dados clínicos é boa. Mas a teoria, presentemente, não é compatível com a prática.
- Conclui-se que, à semelhança do INEM Mobile (que custou cerca de um milhão de Euros ao INEM e que NUNCA funcionou), apesar da intenção ser boa, o Mobile Clinic terá infelizmente o mesmo desfecho.
O motivo será, provavelmente, a ausência de passagem de informação das chefias intermédias para a Direcção relatando os problemas, receando que "se mate o mensageiro ao invés de resolver o problema".
Se não é este o motivo, será pior. Ou seja, a Direcção estar ciente dos problemas e não os desejar resolver.

Coloco as seguintes questões:

1ª Qual a utilidade de tornar os operacionais do INEM dependentes de sistemas que se sabe de antemão que não funcionaram em caso de catástrofe? 

2ª Será prioritário despender de verbas do erário publico na actual conjuntura de crise que o país atravessa, num altura em que se pretende extinguir meios de socorro, e se alega a inexistência de verbas para formar mais Técnicos de Ambulância, em que se alega não se poder pagar melhor aos transportadores de doentes e sinistrados pelos serviços prestados (Bombeiros, Cruz Vermelha, Privados), em que foi retirado aos doentes não urgentes o transporte gratuito em ambulância e que em grande parte das tripulações dos Bombeiros, e da Cruz vermelha não tem a necessária formação colocando assim em risco a saúde publica? 

O presente comentário não pretende constituir uma critica aos INEM nem às estruturas governamentais. Pretende somente sensibilizar a opinião publica e politica sobre o assunto. 

NB: Esta opinião não reflecte a posição de nenhuma das organizações que represento sobre o assunto.

Fonte: João Paulo Saraiva
Presidente do CPPC

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por Diário de um Bombeiro às 16:13


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