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diariobombeiro



Segunda-feira, 19.11.12

Criação de “Central de Emergência Municipal” divide comandantes dos bombeiros

A ideia não é nova, mas foi agora relembrada pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Paredes. José Morais, que falava ao VERDADEIRO OLHAR no decurso de uma reportagem sobre a central de Bombeiros da corporação paredense, defendeu que devia existir no concelho uma central operacional comum às cinco corporações.

Segundo o comandante, esta Central e Emergência Municipal, que devia ser apadrinhada pelo pelouro da Protecção Civil da Câmara Municipal de Paredes, permitiria reduzir o número de operadores de central existentes no concelho e rentabilizar os recursos. Numa altura em se fala em ir mais longe e em que o Governo avança com incentivos às fusões de corporações de bombeiros, José Morais acredita que esta central conjunta, só destinada às situações de socorro e emergência, seria uma forma de agregar esforços mais consensual.

"Ainda há muitas chamadas que caem directamente no corpo de bombeiros e não no 112. E ao nível distrital a informação operacional já está centralizada. Mas abaixo disso devia existir uma central de emergência municipal que centralizasse tudo, pelo menos nos municípios que, como Paredes, têm mais que uma corporação", defendeu.

Mas a ideia não agrada a todos. Há quem sustente que mais que a gestão conjunta das chamadas de emergência fazia sentido uma gestão conjunta da frota destinada aos serviços não urgentes (transporte de doentes). E quem não acredite que a medida, mesmo podendo trazer poupança económica, traga ganhos operacionais em termos de tempo, essenciais nas questões do socorro.

Presidente da Câmara concorda com a ideia

José Morais acredita que os recursos já existem e que agora faltaria apenas vontade para levar em frente uma medida que traria ganhos em termos da rentabilização de meios. Esta central de emergência municipal, já debatida, devia passar pela Câmara, enquanto elemento centralizador das questões da Protecção Civil no concelho. "Deve ser a câmara a sentar as pessoas à mesa", acredita o comandante dos Bombeiros de Paredes. A ideia era ter uma central, com número municipal, que concentrasse as chamadas de emergência no concelho. Aí seria feita a triagem e a indicação de meios necessários ao socorro que seria depois comunicada a cada corporação.

Uma ideia com a qual Celso Ferreira diz "concordar em absoluto". "Esse era o modelo ideal mas só poderá avançar com o aval de todas as corporações", sustentou o presidente da Câmara, agora responsável pelo pelouro da Protecção Civil do concelho. Segundo o autarca, a ideia já foi proposta pela Câmara há cerca de quatro anos, mas enquanto não houver consenso e compromisso das associações humanitárias sobre a localização da central não poderá avançar. "A proposta da câmara é que ficasse na Polícia Municipal", recorda Celso Ferreira, que defende que só depois de um debate e de a ideia ser abraçada por todas as corporações poderá avançar.

Operacionalmente medida pode trazer "perdas de tempo"

O VERDADEIRO OLHAR contactou os comandantes das restantes corporações do concelho para perceber se estariam ou não de acordo com esta ideia. As opiniões dividem-se, apesar de haver pontos de contacto.

Pedro Alves, comandante dos Bombeiros Voluntários de Lordelo, acredita que não seria fácil chegar a consenso sobre a localização da central conjunta. "Não sei se na prática iria funcionar. Até poderia haver melhor articulação de meios e rentabilização, mas tinha que haver boa formação dos operadores, que tinham que ter uma noção muito grande das áreas de actuação de cada corporação", salientou.

Numa primeira análise, Rui Gomes diz não rejeitar a ideia, que ainda assim tinha que ser bem estudada. Mas o comandante dos Bombeiros de Cete lembra que "tudo o que meta mais um interveniente fica dificultado". Segundo o líder da corporação "envolver mais uma entidade pode conduzir a perdas de tempo, essenciais no socorro". "Apesar de poder ser rentável economicamente, operacionalmente a medida pode não trazer mais-valias", declarou Rui Gomes, lembrando que com o INEM, que já concentra um grande fluxo de chamadas, acontecem atrasos no socorro, que é sempre mais rápido quando a ligação é feita directamente para o corpo de bombeiros. Além disso, salienta, seria necessário manter alguém na corporação para atender os telefones.

Fazia mais sentido gestão conjunta do transporte de doentes

Mais crítico é o comandante dos Bombeiros de Baltar. Para Delfim Cruz a centralização das operações de emergência já existe no CODU e no Comando Distrital de Operações do Socorro, pelo que não fazia sentido "passar de uma central conjunta para outra central conjunta". Além disso, partilha da ideia de Rui Gomes e acredita que criar uma outra central é uma "utopia", "porque é preciso ter sempre alguém no corpo de bombeiros a atender o telefone". Por isso, esta central conjunta não traria "mais-valias nem para a rapidez de socorro nem para a redução de custos". Por outro lado, Delfim Cruz defende o oposto. Estaria de acordo num serviço integrado, comum às cinco corporações, não para a gestão do serviço urgente mas para o serviço não urgente. "Para rentabilizar custos fazia mais sentido uma central de coordenação de doentes não urgentes para fazer a gestão da frota das corporações no transporte de doentes, conciliando horários para que os veículos não circulem quase vazios", sustentou.

Em representação da corporação de Rebordosa, Manuel Moreira, adjunto e comandante em substituição, não quis para já emitir uma opinião sobre o tema.


por O Verdadeiro Olhar

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por Diário de um Bombeiro às 10:18


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