Cerca de 60 bombeiros voluntários da corporação de Sacavém, em Loures, terminaram, esta sexta-feira, uma greve de mais de um mês ao serviço de socorro, depois da direção ter aceitado marcar eleições.
"Trinta e cinco dias depois é com grande satisfação que voltamos ao ativo, mas fazemo-lo porque tivemos a promessa de que, em outubro, iriam haver eleições dos corpos dirigentes", justificou o subchefe Luis Rocha, responsável e porta-voz do movimento de bombeiros voluntários de Sacavém que exige a demissão da direção.
No dia 21 de junho, mais de metade dos bombeiros voluntários da corporação tinha iniciado uma greve ao serviço, acusando a direção de "ingerência, perseguição a determinados bombeiros e discriminação salarial".
Durante esse período o movimento contestatário realizou várias ações de protesto para reivindicar a demissão da direção e só admitia voltar ao serviço com novos órgãos dirigentes. "Foi uma luta muito complicada, mas ganhámos. Embora a direção não se possa demitir já sabemos que a partir de outubro será uma vida nova no quartel", sublinhou.
Luís Rocha realçou que o regresso ao ativo dos voluntários "numa altura em que há tantos fogos" é muito importante.
Contactado pela Lusa o presidente da direção dos bombeiros voluntários de Sacavém, António Pedro, referiu que "o calendário das eleições já estava marcado desde dezembro do ano passado".
"Já tínhamos esta situação prevista e simplesmente aquilo que aconteceu é que aceitaram o nosso calendário", afirmou o responsável.
António Pedro referiu que durante o período de inatividade dos bombeiros voluntários o serviço de socorro nunca esteve em causa e que o número de serviços até aumentou.
"Nunca deixámos de ir a nenhum serviço. Inclusive, temos ido a fogos fora da nossa zona, nomeadamente a Odivelas e Vila Franca de Xira. Registamos ainda um aumento do número de serviços em todas as áreas", apontou.
O responsável adiantou ainda que na próxima segunda-feira a direção dos bombeiros vai reunir-se para analisar toda esta situação, nomeadamente "os danos causados à imagem da instituição".
"Iremos com serenidade e à luz dos estatutos apreciar aquilo que se passou", disse.
No quartel de Sacavém trabalham cerca de 80 bombeiros voluntários.
Fonte: JN