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Quarta-feira, 03.08.11

Nisa: Bombeiros Podem Ser Despedidos

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Nisa está a enfrentar dificuldades financeiras e encontra-se na iminência de ter de despedir profissionais, revelou o presidente da direcção, José Isabel Perfeito. Na origem do problema estão as novas regras de transporte de doentes, que contribuíram para uma redução de cerca de 80% deste serviço prestado pelos bombeiros.

Segundo o presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Nisa, em causa está não só a situação financeira dos bombeiros, cujas receitas advêm em grande parte do serviço de transporte dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, mas também a população de Nisa, já que considera que as novas regras “são uma forma de ajudar a cortar as despesas do Governo, mas não têm em conta o bem-estar nem a situação sócio-económica da população de Nisa”.

“Há muitos doentes que antes tinham direito a transporte e agora perderam-no. As pessoas dependem dos familiares e quem não os tem vê-se com problemas muito graves”, revelou José Isabel Perfeito.
As novas regras de transporte de doentes não urgentes entraram em vigor em Janeiro deste ano e resultam do despacho n.º 19 262/2010 de 14 de Dezembro, que determina que só terão direito a transporte gratuito os utentes cuja situação clínica o justifique ou os doentes com insuficiências económica comprovada, desde que o médico o requisite. Assim, pacientes com cancro, transplantados, insuficientes cardíacos ou renais, mulheres com gravidez de risco, entre outros casos previstos, poderão usufruir do transporte gratuitamente sempre que o médico o requisitar.

Fora estes casos excepcionais ou aqueles que comprovem as suas dificuldades económicas, as novas regras do Ministério da Saúde determinam que todos os restantes casos de utentes sem carácter de urgência não terão direito de requisitar transporte sem custos.

A aplicação destas novas regras resultou numa redução de cerca de 80% dos transportes de doentes realizados pelos Bombeiros Voluntários de Nisa, contou José Isabel Perfeito. “No mês de Maio só foram passadas três credenciais de transporte e em Julho temos apenas uma”, revelou, acrescentando que o mesmo não se passa nos concelhos vizinhos, já que os bombeiros nisenses realizam alguns serviços por intermédio das corporações do Gavião e de Portalegre e que têm evitado que a situação se agrave.

“A lei é a mesma para os nossos vizinhos de Portalegre e do Gavião e não percebemos porque razão há Associações que não dão conta do serviço e que nos vêm pedir ajuda para os assegurarmos”, questiona o presidente da direcção dos Bombeiros de Nisa, que assegura que em Nisa está a haver insensibilidade por parte do Centro de Saúde na aplicação do despacho e uma recusa na passagem de credenciais de transportes, mesmo nas excepções previstas no documento.

Com 18 profissionais pagos pela corporação e nove ambulâncias ao serviço, José Isabel Perfeito conta que nos últimos 20 anos a direcção se tem batido pela melhoria das condições dos Bombeiros Voluntários de Nisa. “Se não fosse esta situação já tínhamos 11 ambulâncias e pensávamos criar mais quatro postos de trabalho, dois motoristas e dois maqueiros, porque o serviço era muito. Houve épocas em que chegámos a ter serviços para Lisboa ou para Évora quase todos os dias e esses serviços de percurso longo é que garantiam a manutenção da Associação. Neste momento estamos na iminência de termos que despedir pessoas”, admitiu.

Em causa está também o compromisso assumido com uma candidatura ao QREN, no valor de 200 mil euros e comparticipada em 80%, para a aquisição de uma viatura de combate a incêndios urbanos.
“Assumimos esse compromisso e não queremos desistir dele. Temos o dinheiro posto de parte e temos um fundo de maneio para algumas situações de emergência. Ainda não estamos descalços, mas desde Janeiro para cá a receita não tem dado para as despesas e o que nos vale é o subsídio que a Câmara nos dá todos os meses”, desabafa José Isabel Perfeito, apelando às autoridades competentes para que tenham em conta as dificuldades que as novas regras de transporte de doentes estão a causar às corporações de bombeiros.
“Tenho de zelar pelos meus deveres e pelas minhas responsabilidades; nós estamos a sentir-nos lesados e é justo que alguém nos ajude”, rematou José Isabel Perfeito.

O Jornal de Nisa tentou ouvir o director do Centro de Saúde de Nisa relativamente às situações apontadas pela direcção dos Bombeiros de Nisa, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

fonte: Jornal de Nisa

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por Diário de um Bombeiro às 15:20


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