Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

diariobombeiro



Sexta-feira, 26.11.10

Madeira: Chuva Não Deu Treguas

"Lembra-se do que aconteceu a 21 de Outubro? Então escreva a mesma coisa". Na Rua da Carreira os comerciantes encaravam a inundação de ontem quase com uma fatalidade, de quem trava uma batalha que, à partida, já sabe estar perdida. Foi isso que aconteceu ontem, por volta das 14 horas, na pastelaria 'Fritel'.

Humberto Vieira, o proprietário, até estava preparado para a chuva. Montou uns encaixes à entrada da porta e uma placa metálica para travar a entrada da água. "Quando vi a água a subir, até reforcei aquilo com silicone, mas foi tempo perdido", conta ao DIÁRIO, contabilizando perto de mil euros em prejuízos.

O problema na 'Fritel', que também aconteceu em mais quatro estabelecimentos da zona, foi que a água começou a jorrar de sanitas, lavatórios e até de adufas nas cozinhas e casas de banho.

Duas portas ao lado da pastelaria, Dolores está sentada ao fundo da loja que vende colchões 'Moloflex'. "É a terceira vez este ano, o soalho está todo levantado e temos colchões estragados", explica, falando em 500 euros de danos só em material. "Os expositores também estão estragados e algum material de escritório", acrescenta, dizendo que a água também entrou pela casa de banho.

"Tem lá uma daquelas adufas, que até está reforçada com silicone, mas a força foi tanta que não deu".

Foi, como Dolores disse, a terceira inundação que a Rua da Carreira sofreu este ano. Uma situação, admite o vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF), Bruno Pereira, que justifica-se em parte pelo "sistema unitário" das condutas de água.

"A Rua da Carreira e a Avenida Arriaga, ao contrário do resto da cidade, têm sistemas muito antigos, nos quais o saneamento básico e as águas pluviais estão na mesma conduta", explicou Bruno Pereira, adiantando que estão previstas intervenções nestas áreas já no próximo ano.

Mas, frisa o autarca, a principal razão foi a quantidade "anormal" de chuva que caiu. Entre as 13 e as 14 horas choveu 37 litros por metro quadrado, mais 10 litros do que no dia 21 de Outubro (quando ocorreram as segundas inundações deste ano na cidade), e muito mais do que em Outubro de 1993, quando o Funchal foi atingido por uma grande enxurrada.

Por isso, Bruno Pereira considera que a cidade "reagiu com normalidade" face à chuva que caiu. "Tivemos algumas inundações em lojas casas e estradas, mas nada de muita gravidade", afirma o 'vice' da CMF, que justifica o grande número de adufas que saltaram com o crescimento do Funchal.

"A cidade tem crescido em termos de urbanização , o que significa que existem menos terrenos livres para impermeabilizar a água, daí que toda a chuva seja canalizada para as condutas", afirma, insistindo na necessidade de "olhar para os números" da pluviosidade.

Outro número que Bruno Pereira realça, também com tristeza, é o 4,9. Foram estes os milhões de euros que a Autarquia, "sem ajuda do Orçamento Regional ou da Lei de Meios", gastou este ano em obras de emergência, para reparar os danos provocados pelo 20 de Fevereiro.

"Estávamos no terreno com obras em curso para minorar os efeitos destas situações, mas o tempo e o dinheiro têm estado contra nós", lamentou, exemplificando com as intervenções que estão a ser feitas nos túneis da Cota 40.

Túneis que ontem voltaram a inundar, num deles, o da Cruz Vermelha, um autocarro da 'Rodoeste' ficou imobilizado devido à água, com vários passageiros a bordo. Os Bombeiros Voluntários Madeirenses (BVM) tiveram que utilizar um bote para retirar as pessoas, uma das quais com hipotermia.

Além destes dois túneis, a Avenida do Mar, e as ruas do Carmo e da Carreira estiveram encerradas durante algumas horas, acabando por reabrir por volta das quatro, altura em que o trânsito da cidade regressou à normalidade.

Isto num dia em que os BVM e os Bombeiros Municipais do Funchal (BMF) não pararam, recebendo um total de 40 pedidos de ajuda, entre inundações, pequenas derrocadas e cortes de árvores que ameaçavam cair devido ao vento.

Vento, juntamente com o nevoeiro, que também complicou ontem a operacionalidade do Aeroporto da Madeira, com alguns voos a serem desviados para o Porto Santo. De resto, Santa Cruz, a par do Funchal, foram os concelhos onde o mau tempo mais se sentiu.

Na cidade de Santa Cruz os comerciantes da Rua Cónego de Oliveira, uma das mais movimentadas, assistiram impotentes à subida da água, que acabou por não provocar danos.

Também no Caniço aconteceram problemas. Na Rua da Paz, completamente inundada, um automóvel caiu numa adufa destapada, sofrendo danos avultados. Mas os estragos em viaturas aconteceram também no Funchal, devido às inundações e adufas.

As previsões do Instituto de Meteorologia apontam para uma melhoria no estado do tempo, mas os bombeiros vão estar de prevenção, nomeadamente na Rua da Carreira, com electrobombas.

"Se isto chover durante a noite, não conseguimos dormir descansadas a pensar na loja", desabafa Dolores, sentada ao fundo da loja, entre colchões encharcados.

A Câmara activou o Plano Municipal de Emergência às 14 horas, montando o gabinete no quartel dos BMF. Daqui foram coordenadas todas as respostas às várias solicitações surgidos, e Bruno Pereira destaca a "profícua" coordenação com a PSP. "Estiveram aqui oficiais de ligação, que permitiram-nos chegar mais depressas aos locais", disse o vice-presidente, acrescentando que o trabalho dos agentes policiais foi importante e visível.
 
in: DN

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Diário de um Bombeiro às 13:46


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Novembro 2010

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930




Tags

mais tags