Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

diariobombeiro



Sábado, 16.03.13

Segurança no Combate aos Incêndios Florestais - Parte III

Dando seguimento ao Artigo de Segurança no Combate aos Incêndios Florestais, hoje iremos falar sobre os Princípios Básicos de Segurança, e, Protocolo de Segurança 'LACES'.

Existem 3 grupos de regras de segurança que mais frequentemente são utilizadas pelos operacionais:
AS 18 SITUAÇÕES QUE GRITAM PERIGO
 • Inicialmente eram 13, passaram a 16 e actualmente são 18.
• Redundância entre elas e geralmente num acidente observa-se o desrespeito de mais do que uma.
  • 18 Situações que Gritam PERIGO:
  1. Não foi realizado o reconhecimento do incêndio;
  2. O incêndio evolui durante a noite em local desconhecido;
  3. Não há zonas de segurança e caminhos de fuga identificados;
  4. Não há conhecimento da meteorologia e dos factores locais que afectam o comportamento do incêndio;
  5. Não há conhecimento das estratégias, tácticas e perigos;
  6. Há instruções e tarefas pouco claras;
  7. Há falta de comunicação entre as equipas e o comando das operações;
  8. Se constrói linhas de contenção sem ponto seguro de ancoragem;
  9. Se constrói uma linha de contenção numa localização com fogo abaixo dessa posição;
  10. Se tentar atacar frontalmente um incêndio com grande intensidade;
  11. Se existir combustível por arder entre a equipa e o incêndio;
  12. Se não consegue ver o foco principal nem comunicar com alguém que consiga;
  13. Se estiver numa encosta onde o material pode rolar e provocar focos secundários;
  14. O ar torna-se mais quente e seco;
  15. O vento aumenta de intensidade e/ou muda de direcção;
  16. Se acontecerem projecções frequentes de partículas incandescentes;
  17. Se o terreno e combustível tornarem difícil a fuga para zonas de segurança;
  18. Se descansar perto da frente de incêndio;

Quando estas Situações se Observarem, o Perigo está Iminente

AS 10 REGRAS DE SEGURANÇA PODEM SER AGRUPADAS EM 3 CATEGORIAS
COMPORTAMENTO DO FOGO
  • Manter-se informado sobre as condições meteorológicas e da sua previsível evolução;
  • Manter-se sempre informado sobre o comportamento actual do incêndio;
  • Basear todas as acções de combate no comportamento actual e esperado do incêndio:

SEGURANÇA NO COMBATE
  • Identificar os caminhos de fuga e manter todos os elementos da equipa/grupo informados;
  • Colocar observadores quando há perigo previsível;
  • Manter-se alerta, calmo e actuar decisivamente;

ORGANIZAÇÃO
  • Manter comunicações com os operacionais no terreno, elementos de comando directo e intervenientes de outras organizações;
  • Dar instruções claras e assegurar-se que são compreendidas;
  • Manter todo o seu pessoal sob controlo a todo o instante;
Durante as operações de extinção a incêndios florestais, existem um conjunto de situações, das quais podem resultar em risco para os bombeiros, resumidas no LACES.
O conceito surgiu nos EUA em resultado da dificuldade que os combatentes evidenciavam em se lembrarem das 10 Normas de Segurança e/ou das 18 Situações que Gritam Perigo.
LACES reduz o número de princípios e exemplos de segurança num simples acrónimo, o qual é facilmente memorizado e de fácil implementação.

Protocolo de Segurança LACES

Este protocolo assenta em dois princípios básicos:
  1. Deve ser estabelecido e conhecido por todos os bombeiros e estarem informados de como será usado;
  2. Deve ser continuamente reavaliado à medida que as condições do incêndio vão mudando.
Os elementos que constituem este protocolo, fazem parte de um sistema de segurança, e devem ser implementados antes de iniciar o combate.
O acrónimo LACES deriva do original LCES. O (A) de Anchor points/Awareness foi introduzido em algumas partes dos EUA e Canadá, e adoptado de uma forma geral.

L(A)CES
  • Lookouts (Vigias)
  • Anchor points/Awareness (Pontos de Ancoragem/ Estado de Alerta)
  • Communications (Comunicações)
  • Escape Routes (Caminhos de Fuga)
  • Safety zones (Zonas de Segurança)

  • Lookouts (vigias)
• Vigias em locais estratégicos;
Preferencialmente de uma localização que permita a visualização em simultâneo do sinistro e dos combatentes.
• Tipologia;
Terrestres e aéreos (estes últimos têm uma visão privilegiada sobre o sinistro).
• Noções de comportamento do fogo;
No sentido de analisarem o ambiente do incêndio, e reconhecerem e anteciparem alterações no comportamento.
• Função;
Identificar e comunicar possíveis situações de perigo.

  • Anchor points/Awareness (Pontos de Ancoragem/ Estado de Alerta)
• Pontos de Ancoragem;
Locais seguros, nos quais as linhas de supressão devem ser iniciadas (ancoradas) de modo a garantir que numa eventual alteração do comportamento do incêndio, os combatentes possam sair em segurança dessa posição.
• Estado de Alerta;
Embora segundo este protocolo exista um ou mais vigias, todos os elementos que constituem uma equipa/grupo, devem estar em alerta permanente.

  • Communications (comunicações)
• Importância das Comunicações;
Todos devem ter consciência da importância das comunicações e não utilizar os canais rádio fora do enquadramento previsto.
• Sentido das Comunicações;
Quem comunica com quem? Dos vigias para a equipa/grupo e dentro e para fora da equipa/grupo.
• Tipo de informação;
Avisos sobre eventuais situações de fogo que possam colocar em perigo a equipa/grupo (ex. projecções, entrada do fogo num vale - efeito chaminé)

  • Escape Routes (Caminhos de fuga)
• Momento da sua definição;
Obrigatoriamente devem ser definidas antes de iniciar o combate e serem do conhecimento de todos.
• Quantas Alternativas;
No mínimo deve-se estabelecer duas alternativas e verificar se são viáveis.
• Análise do comportamento do incêndio;
A sua definição deve ser feita considerando sempre a pior situação de incêndio, e não só a actual ou passada.

  • Safety zones (zonas de segurança)
• Definição das Zonas de Segurança;
A identificação das zonas de segurança é feita antes de começar qualquer acção de combate e todos devem saber a da sua localização.
• Critérios de Selecção;
Deve-se escolher zonas sem combustível ou já ardidas e sem possibilidade de arderem novamente (não esquecer a verdadeira definição de zona de segurança).
• Influência do comportamento do incêndio;
A sua definição deve ser feita considerando sempre a pior situação de incêndio e a possibilidade de ocorrência de focos secundários

Se todas as Regras anteriores forem cumpridas:

Combater Firmemente o Incêndio tendo
SEMPRE em conta a SEGURANÇA

Acompanha Este, e, outros Artigos que Aqui iremos publicar relacionados com a Temática de Combate a Incêndios Florestais!...

Contamos contigo...



* Este Artigo, tem como base de pesquisa, documentação disponibilizada pela ENB

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Diário de um Bombeiro às 15:19


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Março 2013

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31




Tags

mais tags