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diariobombeiro



Sexta-feira, 16.03.12

Chamadas Falsas Para os Bombeiros Crescem a Velocidade Preocupante

Algumas corporações de bombeiros da região têm vindo a receber dezenas de chamadas de emergência que se revelam falsas. O caso de Cête, em Paredes, é o mais paradigmático. Só de Dezembro de 2011 a Fevereiro deste ano, os bombeiros desta associação humanitária ocorreram a 18 situações inventadas por pessoas que telefonaram directamente para o quartel ou para números de emergência como o 112 e o 117. 


Os comandantes dos Bombeiros mostram-se muito preocupados com esta situação, uma vez que, dizem, as chamadas falsas obrigam a accionar viaturas e homens que podem vir a ser necessários em situações reais. Alegam também que causam custos que os Bombeiros começam a ter grandes dificuldades em pagar e, pior, colocam em perigo a vida dos "soldados da paz" que, querendo chegar o mais rapidamente possível ao local sinalizado, correm riscos desnecessários. 


Em Cête, os bombeiros já desconfiam sempre que o telefone toca a anunciar mais um desastre, incêndio ou uma doença súbita. "Muitas vezes, os homens não acreditam que a emergência seja verdade", refere o 2º comandante, José Luís Ribeiro. 


A desconfiança justifica-se pelo número elevado de chamadas falsas recebido. Em 2011, foram 20, valor que, no entanto, deverá ser ultrapassado muito rapidamente este ano. "Só nos meses de Dezembro do ano passado, Janeiro e Fevereiro já recebemos 18", salienta José Luís Ribeiro. 


O 2º comandante explica que as chamadas são feitas directamente para o quartel, mas também para o 112 e 117 e, consequentemente, transferidas pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e pelo Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) para Cête. "Logo que recebemos a chamada, accionamos os meios necessários ao caso descrito. Meios que depois podem faltar para uma emergência verdadeira. Também há gastos desnecessários com as viaturas, mas o pior é que os homens colocam-se em perigo sem necessidade. Eles querem chegar o mais rápido possível ao local e correm riscos", explica. 


Corporações avisam que meios podem faltar para emergências reais 


Em Penafiel não há números concretos. Mas há a percepção de que as chamadas falsas são um concreto problema. "Acontecem mais de uma vez por mês. Há dias em que recebemos três ou quatro chamadas falsas", garante o 2º comandante Fernando Campos. 


Segundo este elemento do Comando, as chamadas falsas têm origem, essencialmente, na freguesia de Oldrões, mas o mal não se confina a esta localidade. 


Em Baltar, o comandante Delfim Cruz divulga que em 2011 a corporação registou cinco chamadas falsas e que este ano esse número já vai em três. "Inventam emergências de todo o tipo. Há doenças súbitas graves, incêndios, acidentes e até partos", desfia. 


Delfim Cruz e Fernando Campos juntam-se a José Luís Ribeiro nas críticas às chamadas falsas e destacam, igualmente, a mobilização de meios que podem faltar para outras emergências, os gastos com as viaturas e o perigo em que os bombeiros ficam sempre que saem em marcha urgente. 
Neste grupo, podemos inserir ainda Luís Neves, comandante dos Bombeiros de Entre-os-Rios, corporação que, no ano passado, teve seis situações de emergência falsas. "Infelizmente, este tipo de situações acontece com uma frequência que não devia", afirma. 



Há quem telefone a meio da noite e quem invente partos prematuros 


"Ainda na madrugada de quarta-feira fomos chamados para um incêndio numa habitação, em Luzim. O alerta foi dado à 1h51 e tivemos de tocar a sirene, tirar as pessoas da cama, mas quando lá chegámos não era nada". O caso é contado pelo 2º Comandante de Penafiel e exemplifica o que acontece tantas vezes. 


Mas há casos de outro género. "Na semana passada, houve um alerta que dava conta de dois feridos em virtude de uma luta com facas. Disseram que os homens estavam muito mal e inconscientes. Não havia nada", descreve José Luís Ribeiro, de Cête. 


Em Baltar já houve quem telefonasse a pedir ajuda para um parto prematuro e em Entre-os-Rios a imaginação permitiu inventar intoxicações alcoólicas e fugas de gás. 


Muitas vezes, os números utilizados para fazer as chamadas são privados, mas há quem tenha vários cartões de telefone para usar neste tipo de situações, tornando a identificação do autor quase impossível. Mesmo assim, em 2010, ano em que foram confrontados com várias chamadas falsas, os Bombeiros de Baltar apoiaram a GNR na apresentação de uma queixa no Ministério Público. "Mas não sei como é que isso ficou", refere Delfim Cruz. 


Fonte: Verdadeiro Olhar

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por Diário de um Bombeiro às 21:31


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