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diariobombeiro



Segunda-feira, 08.08.11

Emergência médica nasceu do transporte de doentes

Quando o Instituto Nacional de Emergência Médica foi criado, fez no início do mês 30 anos, já não se resumia às duas salas cedidas pela PSP que albergaram o seu antecessor, o Serviço Nacional de Ambulâncias, de quem herdou funcionários e meios. Mas no quadro tinha apenas umas dezenas de pessoas, recorda Delfina Laurentina, 53 anos, a funcionária mais antiga, que viu nascer a instituição que hoje conta mais de 1360 funcionários.

Custódio Braz, membro da primeira direcção e por duas vezes presidente do INEM, recorda que antes já se prestava socorro às pessoas, mas este resumia-se praticamente ao transporte dos doentes, feito pela PSP e pelos bombeiros, essencialmente em casos de acidentes. "Não havia praticamente intervenção na residência dos cidadãos", lembra. E acrescenta: "O nosso principal objectivo era melhorar a qualificação de quem prestava o socorro e assegurar uma coordenação mais eficaz. A medicalizaçâo do sistema era a palavra-chave".


Sem os telemóveis, os alertas eram dados quase sempre através de telefones fixos. Mas havia grandes distâncias sem um aparelho acessível. Por isso, investiu-se nos avisadores de estrada, também conhecidos por Postos SOS, que permitiam a ligação directa às centrais de emergência do então 115, hoje 112. "No início pagávamos o aluguer destas linhas em função do seu comprimento", explica Custódio Braz.


Nessa altura os carros médicos eram uma miragem. Domingos Pereira, 67 anos, motorista de todos os presidentes do INEM, deslumbrou-se com o socorro e numas férias decidiu começar a tirar o curso de tripulante de ambulância de socorro. Foi, por isso, um dos primeiros a conduzir o Volkswagen Golf, de caixa automática, que em 1989 albergou a primeira Viatura Médica de Intervenção Rápida, em Lisboa, cuja equipa era constituída por um médico e um tripulante. "Nessa altura funcionava apenas das 8h00 à meia-noite", recorda.


Actualmente, Domingos Pereira já não pode integrar as entretanto denominadas Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), porque agora o segundo elemento é enfermeiro. Mas não esquece as aventuras de outros tempos. "Fomos chamados ao Casal Ventoso porque um toxicodependente estava inanimado, com uma eventual overdose. Quando chegámos o médico deu-lhe várias injecções e ele não reagiu. Estava convencido que o tínhamos perdido quando de repente ele abre os olhos, dá-me uma chapada e começa a correr. Nunca mais o vimos", conta entre sorrisos.


Paulatinamente, as VMER foram invadindo o país e hoje há 42 no continente, accionadas pelos quatro Centros de Orientação de Doentes Urgentes, que fazem um atendimento especializado, uma triagem dos casos e a activação dos meios. Cabe aos médicos seleccionar o destino do doente para as unidades de saúde mais adequadas ao seu tratamento, não necessariamente a mais próxima, como antes se fazia.


Em 1997, começaram a funcionar dois helicópteros de emergência e o ano passado mais três aparelhos que estão sediados no interior do país. Em 2004, chegaram as motas que rompem o trânsito nos centros urbanos e uma parte das ambulâncias começou a ser tripulada por funcionários do INEM. Hoje, estas viaturas já recebem toda a informação do CODU num pequeno portátil, onde se identifica e descreve a ocorrência, localizada automaticamente num GPS. Os dados são enviados depois para o hospital de destino, antes mesmo do doente lá chegar.

Um visionário

Para Natália Bruno, secretária dos sete presidentes que passaram pelo INEM, uma grande quota-parte da evolução da emergência médica em Portugal deve-se ao fundador da instituição, o cardiologista Rocha da Silva, que durante os dez anos em que esteve à frente da instituição lançou as raízes do sistema. "Era um visionário e um apaixonado pela emergência médica", sublinha. Nota também que a partir de 2003, com a posse de outro médico, Cunha Ribeiro, o INEM assistiu a uma nova "explosão".


Mas nem tudo foi um mar de rosas. "Havia entidades com perfis e culturas muito diferentes no sistema, que era difícil coordenar e articular", nota Custódio Braz. A falta de recursos humanos, continua, atrasou, por exemplo, o alargamento da rede de VMER. Ainda hoje em dia, a maioria tem falhas nas escalas por falta de meios humanos. Sem querer adivinhar o futuro, Domingos Pereira tem uma certeza. Às vezes, nas horas livres, vai continuar a matar o bichinho do socorro e quem sabe se atingirá um recorde de assistência a partos. Até agora contabiliza para aí uns 50.

Fonte: Público

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por Diário de um Bombeiro às 17:37


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