Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

diariobombeiro



Segunda-feira, 14.05.12

Liga dos Bombeiros Acusa Governo de "Falta de Ética"

A reestruturação pensada pelo Governo para os atuais moldes de funcionamento dos bombeiros está a gerar controvérsia no seio da Liga dos Bombeiros Portugueses. Jaime Soares, presidente da organização, sugere ao Executivo que dê uma “vassourada” na Autoridade Nacional de Proteção Civil, estrutura que considera “ultrapassada, burguesa e elitista”. Foi esta a resposta às declarações do secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D’Ávila, que defendeu ontem a urgência em encontrar novas fórmulas de organização dos bombeiros voluntários. “Precipitado”, acrescentou Jaime Soares.

O secretário de Estado disse à Lusa que, apesar de não estar em causa a extinção do voluntariado nos bombeiros, é “incontornável” que seja iniciado um processo de reestruturação nesta área e que este “tem que começar pelos próprios interessados”. Para o governante, a conjuntura económica do país torna imperioso que se tomem medidas no sentido de firmar um novo modelo de financiamento dos bombeiros. Um projeto que o Governo tem atualmente em marcha, em conjunto com a Liga dos Bombeiros e com a Associação Nacional de Municípios.

Para o secretário de Estado, a atual distribuição dos corpos de bombeiros “não corresponde ao mapa de riscos em Portugal e, na maior parte dos casos, encontra-se desajustada da realidade e da necessidade de resposta que é preciso dar”. A reforma na estrutura dos bombeiros deverá passar assim pela sinergia de esforços. “Respostas conjuntas” que privilegiam, segundo Filipe Lobo D´Ávila, a partilha de recursos humanos e materiais em corporações situadas no mesmo concelho ou nas proximidades.

"É essa dimensão de resposta conjunta que é preciso que as associações humanitárias possam vir a ter no futuro. Não podemos ter todo o tipo de viaturas permanentemente atualizadas, não conseguimos ter quartéis dos mais modernos em todas as associações humanitárias. É impossível investir da mesma forma em todas os corpos de bombeiro", justifica.
 
"Vassourada" na Proteção Civil

Mas as palavras do secretário de Estado não caíram bem na Liga dos Bombeiros Portugueses, levando o presidente Jaime Soares a considerar que Filipe Lobo D’Ávila foi “precipitado e teve falta de ética, ao passar mensagens para a opinião pública”.

Para o líder da LBP, o problema da profissão “não está em si, está efetivamente numa estrutura ultrapassada, burguesa e elitista, que é da responsabilidade do senhor secretário de Estado, que é a Autoridade Nacional de Proteção Civil".

Na visão de Jaime Soares, o plano de reestruturação do Governo deve começar por "desengordurar a Autoridade, dar uma vassourada na Autoridade, pôr pessoas competentes" na ANPC, uma vez que "ela é que não tem sabido preparar toda uma estratégia que rentabilize todo este processo das associações e dos corpos de bombeiros”, afirma. O presidente da Liga dos Bombeiros revelou que a organização que lidera já avançou com medidas para um plano de reestruturação, nomeadamente sobre a tipificação do risco de incêndio nos municípios e a distribuição proporcional dos recursos por cada concelho.

"Queremos uma nova lei de financiamento dos corpos de bombeiros, que não existe. Os bombeiros são praticamente trabalhadores do Estado gratuitamente e isso tem de acabar. O Estado se quer ter uma estrutura tem de a pagar, tem a ajudar a pagar", reclama Jaime Soares.

Defendendo o “diálogo aberto e transparente”, Jaime Soares acrescentou que está “disponível para continuar a conversar com o senhor secretário de Estado, mas no local próprio”.

A troca de argumentos levou já neste domingo a uma reação do ministro da Administração Interna. Miguel Macedo adiantou à RTP que o que está em causa não é “o encerramento de corporações” até porque “isso não compete ao MAI nem ao Governo”. O debate neste caso incide numa “alteração de estruturas da proteção civil, cujas propostas estarão concluídas em outubro”.

Charlie e Bravo com "medidas excecionais"

A fase “Bravo” de combate a incêndios florestais tem início na próxima terça-feira e decorre até dia 30 de junho, data em que dará lugar à fase “Charlie”.

Mais de seis mil bombeiros vão estar operacionais neste primeiro período, numa altura em que a área ardida ultrapassa em cinco vezes os valores registados no mesmo período de 2011.

Filipe Lobo D’Ávila garantiu ontem que “para fazer face a uma situação excecional” como a deste ano, poderão ser adotadas “medidas excecionais”.

O dispositivo que agora é reforçado na fase 'Bravo' e que vai ser novamente reforçado na fase 'Charlie' é, comparativamente ao que existia no ano passado, superior", confirmou.

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais terá este ano um orçamento de 70,2 milhões de euros.


Fonte: RTP

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Diário de um Bombeiro às 10:09


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2012

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031




Tags

mais tags