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diariobombeiro



Quarta-feira, 01.02.12

Vigilantes da natureza não chegam nem para metade do território

Os vigilantes da natureza que existem em Portugal não chegam nem para metade do território, mas o Governo não abre vagas e os efetivos no terreno dizem já que esta é uma profissão em vias de extinção.

Criada em 1975, a profissão contava na altura com 300 vigilantes da natureza. Atualmente tem 180 no continente, 35 na Madeira e 15 nos Açores.

Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN), eram precisos no mínimo 600.

"O ideal eram mil, mas com 600 já estaríamos satisfeitos", disse Francisco Correia. O presidente da associação falava à Agência Lusa por ocasião do 37º aniversário da profissão, que se assinala a 02 de fevereiro.

Para o responsável, a profissão de vigilante da natureza está em crise desde que apareceu.

"A partir daí tem sido sempre a descer. Desde 1989 entraram 10 pessoas", disse o presidente da APGVN, acrescentando: "estamos quase extintos".

Segundo Francisco Correia, o "grande problema é que não há entrada de novos agentes" e as poucas entradas novas que ocorreram "não compensaram as saídas" que se registaram ao longo dos anos.

No ano passado, foram "desbloqueadas cinco vagas para o país todo" e já não havia abertura de concurso há mais de dez anos, afirmou.

Para exemplificar a falta de pessoal, indicou que no Parque Natural do Douro Internacional não existia nenhum vigilante.

"Agora há dois, dos que entraram em 2011. O Parque Natural do Tejo Internacional só tinha um e agora entrou outro. Para comparar, do lado espanhol têm perto de 50 em cada parque", acrescentou.

O dirigente associativo foi mais preciso ao referir que os dois vigilantes do Parque Natural do Douro Internacional têm a seu cargo uma área de 87011,26 hectares (o equivalente a 174 mil campos de futebol).

Em todo o Algarve há um vigilante da natureza e no Norte do país, não há nenhum.

"Só nos parques naturais, reservas e no parque nacional do Gerês é que existem. No resto do território não há ninguém", disse o dirigente associativo.

Outro problema que se coloca com os poucos vigilantes prende-se com a falta de vigilância fora das horas normais de trabalho.

"A vigilância não pode ser feita na hora normal da função pública porque as infrações são feitas fora de horas e com os nossos meios fica muito difícil fazer a vigilância", afirmou.

Francisco Correia lamentou também a falta de formação destes profissionais.

"Se não fossem os elementos a procurarem formação, não a faziam. É tudo às nossas custas e nas nossas férias. O Estado não investe na nossa formação"

Cabe a um vigilante da natureza zelar pela proteção do ambiente, fiscalizar a poluição e os cortes de árvores, fazer educação ambiental, fiscalizar pedreiras, sucatas, rios, fábricas, caça e pesca, entre outros.

Entre as "constantes" violações ocorridas estão os despejos de águas poluentes nos rios e nas ribeiras, construções ilegais e despejos de lixo e entulhos nas matas e arribas.

"É muito comum. Apesar de haver recolha deste tipo de materiais pelas câmaras. Deviam obrigar empreiteiros a comprovar onde os despejam", defendeu o presidente da APGVN.

Devido a restrições orçamentais, as celebrações do 37º aniversário da profissão vão ser discretas.

A APGVN juntou-se ao Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, que assinala o Dia Mundial das Zonas Húmidas, e ambos promovem palestras na Lagoa de Albufeira.

Estão ainda previstas visitas à Lagoa Pequena e ao Cabo Espichel.

Fonte: RTPNoticias.pt

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por Diário de um Bombeiro às 20:53


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