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diariobombeiro



Sábado, 11.02.12

CORPORAÇÕES DE BOMBEIROS EM RISCO DE RUPTURA

O presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Évora, Inácio Esperança, garante que neste momento existem várias corporações em risco de fechar portas na região. As causas são conhecidas há muito, o corte no financiamento das Associações Humanitárias através do transporte de doentes não urgentes por parte do Ministério da Saúde, mas a situação nunca este tão insustentável como na actualidade. No distrito já foram despedidos cerca de 70 bombeiros, mais de um terço dos operacionais responsáveis pelos transportes.

“ Se não forem tomadas medidas a curto prazo, os bombeiros podem perder a sua operacionalidade e as associações vão ficar insolventes. Se a banca neste momento estivesse a exigir o integral cumprimento das obrigações às Associações Humanitárias, meia dúzia das 14 existentes no distrito de Évora estaria a fechar portas”, disse o responsável.

Inácio Esperança garante que o que está em causa é o modelo de financiamento. “Se o Estado, que todos estes anos através da Saúde foi financiando as associações, com o fim do actual modelo urge encontrar uma solução”, reconhece.

Actualmente, segundo presidente da federação eborense, o socorro às populações é muitas vezes garantido, durante dia, pelos bombeiros contratados, que quando não estão a realizar transportes assumem essas funções, visto que os voluntários só estão disponíveis após o horário de expediente. “Hoje em dia já não resulta tocar a sirene. As pessoas trabalham longe de casa e só estão disponíveis quando saem dos seus empregos. Continua a ser a grande abnegação desta gente a permitir que não falte o socorro às populações”, considera Inácio Esperança.

Actualmente, no distrito de Évora, nenhuma das 14 corporações de bombeiros atravessa momentos fáceis. Os problemas financeiros já bateram a todas as portas e poucas são aquelas que ainda não despediram funcionários. Reguengos, Portel, Mourão, Viana do Alentejo, Alandroal e Mora são apenas alguns dos exemplos onde a corta que há muito tempo está “na garganta” já começa apertar.

“Se até 2009 nos disseram para criar despesa, para transportar as pessoas, para comprar ambulâncias quando necessário, a partir de Janeiro de 2011 acabou-se o modelo de transporte de doentes e os bombeiros ficaram com os encargos, sem os conseguirem suportar”, descreveu Inácio Esperança.

Outro dos problemas que surge da actual conjuntura, segundo o mesmo responsável é a inoperacionalidade a que vão estar votados grande parte dos bombeiros que serão despedidos, muitos deles bastante qualificados e que “custaram milhares de euros ao Estado, às Associações e aos Municípios”.

“Temos associações criadas pelas pessoas e neste momento não estamos a conseguir dar respostas. E o nosso medo é que chegue o dia em que falhemos. O que queremos é que os responsáveis pelo País percebam que não aguentamos muito mais tempo e que não queremos vir a ser responsabilizados por uma falha neste sistema. Sabemos que não há dinheiro para profissionalizar todo o socorro, sabemos que o INEM não pode estar em todo o país. Temos a nossa cota de responsabilidade e temo-la cumprido gratuitamente”, rematou.


Fonte: Registo

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por Diário de um Bombeiro às 18:31


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