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diariobombeiro



Sexta-feira, 03.12.10

Mãe salva filho de cama rodeada por Chamas

Uma família do Cacém (Sintra) ficou desalojada na sequência de um incêndio que deflagrou no quarto de um dos três filhos, na madrugada de ontem, quinta-feira.

A criança estava a dormir numa cama em chamas quando a mãe a retirou, mas ninguém se feriu com gravidade.

"Foi um milagre ela estar acordada." De olhar fixo na parede chamuscada do prédio onde vivia, na Rua do Jardim de Santa Isabel, José Emídio emociona-se ao recordar a noite de pânico que tinha acabado de viver. É difícil perceber se as lágrimas que lhe marejam os olhos se devem mais ao desespero de ver a casa feita em escombros ou ao terror de pensar o que teria acontecido se a mulher não estivesse ainda desperta quando o fogo deflagrou.

Eram cerca de 1.45 e Lucinda Emídio via televisão na sala quando reparou num clarão vindo do quarto do filho, de 13 anos.

Em casa estavam também os outros dois filhos do casal, de 10 e 16 anos. Lá dentro, deparou-se com um cenário aterrador: as labaredas, que terão tido início num aparelho de aquecimento, já consumiam o edredão de baixo do qual o adolescente dormia serenamente.

Baldes de água

"Ele já devia estar sob o efeito do fumo, mas consegui acordá-lo e tirei-o de lá", contou ao JN Lucinda Emídio. "O meu marido acordou e começámos a tentar apagar o fogo com baldes de água e com tudo o que tínhamos à mão.

"As tentativas de apagar o fogo ainda valeram alguns ferimentos superficiais nas mãos e nos pés de Lucinda e de José mas não chegaram para cobro às chamas. Chamados de imediato, os bombeiros do Cacém e de Algueirão só terão chegado cerca de meia hora depois, segundo os moradores e a vizinhança. "Se fosse teimoso ficava lá. Se quisesse continuar a tentar apagar o fogo não conseguia sair de lá", diz José Emídio.

Quando o incêndio foi dado como extinto, o balanço era desolador. Os cinco moradores estavam ilesos, tirando os pequenos ferimentos do casal, mas um gato e três pássaros da família morreram carbonizados.

Da casa, pouco se aproveitava. O quarto onde o fogo deflagrou e a sala arderam por completo e ficaram transformadas num amontoado de escombros. O quadro da electricidade estoirou e até a estrutura das divisões ficou deformada pela força das chamas.

No resto da casa, que ocupa o primeiro andar do prédio, aquilo que as labaredas não reduziram a pó ficou afectado pela água utilizada pelos bombeiros para apagar o fogo. As chamas também danificaram os apartamentos dos pisos superiores, sobretudo o segundo andar.

Para os habitantes da Rua do Jardim de Santa Isabel, a noite foi de sobressalto. "Quando vi as chamas a sair pela janela, tive medo que o fogo alastrasse para as outras casas todas", diz uma moradora ao JN.

Durante o dia de ontem, vários vizinhos foram oferecer a sua ajuda à família Emídio. Depois de uma noite em que apenas descansou um pouco dentro do carro, o casal não sabia ainda onde ia passar as próximas noites.

"O perito já reconheceu que a casa está inabitável e o seguro diz que podemos ir para uma pensão que eles depois pagam", explicou ao JN José Emídio. "Mas precisamos de adiantar o dinheiro e ele vai-nos fazer falta para tentarmos compor a casa."


in: Jornal de Noticias

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por Diário de um Bombeiro às 23:16


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