O comandante nacional de Operações de Socorro (CNOS), Vítor Vaz Pinto, disse hoje que os meios disponíveis para combater os incêndios florestais este ano vão responder com "eficiência e eficácia", apesar dos cortes no dispositivo devido à crise.
"Apesar dos cortes, que não são muito significativos, o dispositivo saberá responder com eficácia e eficiência de forma a minimizar as consequências dos incêndios florestais", afirmou à agência Lusa o novo comandante nacional, que substituiu Gil Martins. Vítor Vaz Pinto, que já foi comandante do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, manifestou "confiança" no dispositivo, considerando que "já atingiu maturidade e deu provas nos anos anteriores". Para a fase mais crítica de incêndios florestais, que começa na sexta-feira e termina a 30 de Setembro, vão estar operacionais 9.210 elementos (menos 775 que no ano passado), 2.018 viaturas (menos 158) e 41 meios aéreos (menos 15), além dos 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR.
"Eu julgo que o dispositivo que foi possível constituir é um dispositivo que nos permite enfrentar com confiança a fase mais vulnerável dos incêndios florestais", sustentou. Como exemplo, referiu os fogos do último fim-de-semana, em que "o dispositivo respondeu bem e com eficiência" em condições meteorológicas extremas. No último fim de semana, devido ao calor, registaram-se mais de 200 ocorrências de fogo por dia. No entanto, Vaz Pinto admitiu que "nenhum país só por si consegue estar preparado para o pior dos cenários" e recordou que há "sempre a possibilidade" de pedir ajuda no âmbito dos acordos bilaterais com outros países ou através do mecanismo europeu de proteção civil.
Vítor Vaz Pinto sublinhou que os meios aéreos "são fundamentais para ajudar no combate de incêndios florestais e para regular os fogos na fase inicial, mas só por si não resolvem o problema". Fazendo um balanço da fase "Bravo", que se iniciou a 15 de maio e termina hoje e em que a redução dos efectivos foi de 3 por cento e foram menos 10 os meios aéreos, o CNOS afirmou que "o dispositivo esteve à altura e respondeu sempre com eficiência em todas as situações". "Até agora não se registou qualquer constrangimento em relação ao dispositivo. As coisas têm corrido de forma natural, sem qualquer problema de maior", disse, adiantando que o número de ignições foram mais do dobro, em relação à fase "Bravo" do ano passado.
Segundo Vítor Vaz Pinto, na origem das ignições está o comportamento das pessoas. Por isso, apelou para que as populações não tenham comportamentos de risco. O mesmo responsável afirmou que o combate aos fogos "é a última das soluções", sendo o objectivo principal "reduzir o número de ignições" e tal "depende dos portugueses". "A melhor forma de prevenir os incêndios é evitá-los, mas se tal não for possível a melhor forma é regulá-los inicialmente", disse. O relatório provisório da Autoridade Florestal Nacional (AFN) indica que a área ardida entre janeiro e maio mais do que duplicou em relação ao mesmo período de 2010. Nos cinco primeiros meses do ano arderam 6.755 hectares de florestas e registaram-se 3.676 ocorrências de fogo. O Comando Nacional de Operações de Socorro, agora comandado por Vítor Vaz Pinto, é a principal estrutura operacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, presidida pelo general Arnaldo Cruz.
fonte: DN