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diariobombeiro



Quinta-feira, 28.04.11

Paulo Fernandes: «Poderíamos alcançar melhores resultados»

Paulo Fernandes
Confrontado o anúncio do Governo de que vai reduzir os meios de combate aos fogos em 2011, o investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Paulo Fernandes desvaloriza os cortes – fixados em 11 milhões de euros. Segundo o docente do departamento de Ciências Florestais, a melhoria dos resultados (menos área ardida) passa pela racionalização e especialização do combate.

Qual o impacte dos cortes nos meios de combate aos fogos anunciados pelo Governo para 2011?
As maiores deficiências do combate a incêndios em Portugal verificam-se na fase do ataque ampliado (os fogos que escapam à primeira intervenção e depois se expandem por centenas e milhares de hectares e que não respondem à quantidade e tipo de meios utilizados). Assim, não é expectável que os cortes anunciados venham a ter impacte na área ardida deste ano, a não ser que se verifique uma diminuição significativa nos recursos disponíveis para o ataque inicial.

Defendeu recentemente que o actual modelo de combate aos fogos deveria ser repensado. Qual o modelo que defende?
Expandir o sistema para melhorar a vertente da protecção florestal - ou seja, para responder a grandes incêndios- , constitui a única forma de obter melhores resultados. Esta expansão não passa pelo investimento em meios de combate ou em infraestruturas florestais, mas sim pela especialização dos meios humanos em técnicas específicas de combate ao fogo em meio florestal, que exige um maior uso de equipamento de sapador, de bulldozers e do próprio fogo (o contra-fogo). O nível de formação, inclusivamente dos comandantes, e o uso de tecnologia de apoio à decisão são muito baixos.

Falou também numa maior "racionalização do combate": o que é que isto significa e como se pode conseguir?
É muito claro que poderíamos alcançar melhores resultados com os recursos de que dispomos. No quadro actual, racionalizar o combate corresponde grosso modo em corrigir o grande desequilíbrio que existe entre os meios utilizados e a forma (e circunstâncias) como são utilizados. Por exemplo, melhorar procedimentos simples, como o do rescaldo, que evitaria a reactivação de incêndios que se vêm a tornar grandes incêndios; basear as decisões de combate no comportamento expectável do fogo; melhorar a articulação entre o combate terrestre e aéreo. Por outro lado racionalizar o combate implica reorganizar os actores envolvidos. O chapéu mais adequado a esta racionalização passaria pela integração das competências, responsabilidades e pessoas num único organismo, que abarcaria não só o combate como também a prevenção. Esta recomendação constava aliás do estudo técnico efectuado para o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

Quais considera que devem ser as prioridades a montante do problema, nomeadamente na prevenção de incêndios?
Do ponto de vista político, adoptar medidas de desenvolvimento rural que contribuam para a revitalização do território, contrariando o abandono actual, e que encorajem a produção florestal. Do ponto de vista mais técnico, dar mais ênfase à silvicultura preventiva e à gestão da biomassa (o combustível), em detrimento do investimento em infraestruturas ditas de prevenção mas que na realidade são auxiliares do combate, como aceiros, pontos de água e torres de vigia.
Na verdade, as análises que temos feito indicam que o combate, pelas deficiências antes expostas, frequentemente não aproveita a existência de áreas que facilitam a extinção do fogo, quer por terem recebido tratamentos preventivos quer por terem ardido recentemente. Enquanto assim for, não são aconselháveis investimentos em larga escala na prevenção, devendo estes antes ser concentrados em áreas críticas, definidas por requisitos de protecção civil ou de valor florestal ou ambiental.

por Névia Vitorino
fonte: Portal do Ambiente

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por Diário de um Bombeiro às 19:50


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