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diariobombeiro



Sábado, 18.08.12

18 de Agosto de 1900 - Concurso Internacional de Bombeiros, Hipódromo de Vincennes, perto de Paris

A presença portuguesa fez-se assegurar por 14 bombeiros do Corpo de Salvação Pública do Porto (antecessor do actual Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto), sob o comando de Guilherme Gomes Fernandes, Inspector dos Serviços de Incêndios da cidade Invicta, mediante convite endereçado a este pela Federação dos Bombeiros Franceses.

Facto geralmente omitido em alusões ao feito, a participação de Portugal deu-se inicialmente num contexto embaraçoso mas que em nada desmotivou os seus bombeiros, mercê da determinação de Guilherme Gomes Fernandes.

Referimo-nos à existência de cartazes afixados pela cidade de Paris a difamar Portugal, em virtude de um empréstimo solicitado pelo Governo português a banqueiros franceses, bem como ao movimento grevista dos descarregadores do Havre. Ambas as situações foram consideradas inoportunas para a participação no evento, nomeadamente ao nível ministerial.

Por outro lado, na cidade do Porto, poucos eram aqueles que pareciam acreditar no possível sucesso dos bombeiros portugueses, alegando a difícil competição com equipas consideradas de nível superior.

A própria Câmara Municipal, que autorizara a ida a Paris, demitiu-se de apoiar financeiramente a deslocação dos 14 bombeiros, sendo a mesma suportada por Guilherme Gomes Fernandes, que dispunha de fortuna pessoal.

Nenhum dos factores negativos impossibilitou a participação da representação portuguesa.
Foi esta, inclusive, que se encarregou de descarregar o carro de material, aquando da chegada, depois de alguns dias retido em viagem, devido à ocorrência de greves nos principais portos franceses, o que aconteceu na madrugada de 18 de Agosto.

Mas apesar do sucedido a escassas horas de concorrerem, Guilherme Gomes Fernandes e os seus homens, como se nada os tivesse atingido, apresentaram-se com a moral em alta, no Hipódromo de Vincennes, local onde decorreu o certame.

Prestação de Provas no Concurso: 

A prestação de provas verificou-se, pois, no dia 18 de Agosto, perante numerosa assistência ...

Tendo como tema a extinção de um incêndio num prédio de 20 metros, com três salvamentos (duas pessoas no 5.º andar e uma no 6.º).
Para o seu cumprimento, o júri estabeleceu o tempo máximo de 15 minutos.

- Os bombeiros americanos (vencedores em três concursos) foram os primeiros a ser chamados, perfazendo 15 minutos.

- Seguidamente, os húngaros cumpriram o exercício em 16 minutos.

- Portugal tratou-se do terceiro país a entrar em campo a fim de prestar provas.
Reza a história que Guilherme Gomes Fernandes apitou e a equipa dirigiu-se de imediato para o esqueleto de madeira instalado junto à pista do hipódromo, simulador do edifício incendiado, desenvolvendo o tema no tempo recorde de 2 minutos e 56 segundos.

"(...) os valentes rapazes correm ao predio incendiado, com um sangue frio, que desde logo lhes conquista todas as sympathias. Armam escadas, lançam as cordas, trepam pelo esqueleto com uma agilidade extraordinária e o problema é triumphantemente resolvido", descreve o correspondente do Jornal dos Bombeiros no seu artigo sobre a cobertura do evento.

A equipa não havia efectuado qualquer treino antes da prova e muito menos tinha conhecimento das condições do esqueleto, mas como dizia Guilherme Gomes Fernandes "o fogo não espera; prossegue no seu devorar incessante; e se o bombeiro não acode rápido o terrível elemento completa a sua obra destruidora".

Após o exercício, o público que se encontrava nas bancadas invadiu o recinto, dispensando calorosos aplausos aos bombeiros portugueses pela rapidez e eficiência demonstradas.
Houve até quem, entre a multidão, afirmasse: "São bombeiros gatos."

Devido ao tempo realizado pelos portugueses, considerado inatingível, as restantes 17 equipas que ainda iriam desenvolver o tema acabaram por apresentar a sua desistência.

O Presidente da República Francesa, Émile Loubet, saudando a equipa vitoriosa, ergueu o seu chapéu e disse: "Vivam os bombeiros portugueses. Viva Portugal"

O mesmo Chefe de Estado viria mais tarde, ao elogiar Guilherme Gomes Fernandes, durante o banquete de honra do concurso, a proferir outra não menos significativa expressão que a história regista nos seus anais:
"Diga ao vosso Governo que, quando Portugal necessitar de alguma coisa da França, mande como seus embaixadores os seus Bombeiros."

Como prémios, o Corpo de Salvação Pública do Porto trouxe para Portugal uma Taça de Sèvres, oferta do Presidente da República da França, e 1500 francos.


gentilmente cedido pelo,
Sub-Chefe Tiago Catrola Raposeira
                    B.V.Almeirim

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por Diário de um Bombeiro às 14:28



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