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diariobombeiro



Segunda-feira, 15.08.11

Carta Aberta do Presidente da Direcção da A.H.B.V.Coimbra

Ao Senhor Presidente da Câmara Municipal  de Coimbra
Aos Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Coimbra
Ao Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra
Aos Senhores Deputados Municipais
Aos Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia do Município de Coimbra
Aos Senhores Empresários, Industriais e Comerciantes
Aos Cidadãos de Coimbra

Na impossibilidade de me dirigir individualmente a todas V.ªs Ex.ªs venho, através desta Carta Aberta e na qualidade de Presidente da Direcção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Coimbra, expor, no dia da nossa Cidade, um conjunto de preocupações e suscitar uma reflexão e uma resposta colectiva.

Faço-o como uma obrigação decorrente das responsabilidades que tenho na Direcção de uma instituição que há mais de 122 anos tem por missão proteger e socorrer pessoas e bens e que se encontra numa encruzilhada que não permite mais enganos ou sofismas.
Caros Autarcas e Caros Concidadãos, tenho a profunda convicção que o pleno desenvolvimento de Coimbra implica um ambiente geral de segurança, a existência de uma adequada estrutura de Protecção Civil e os meios humanos e materiais indispensáveis à prevenção e socorro de pessoas e bens.

Coimbra é uma cidade média com uma população significativa, que tem uma enorme gama de “bens colectivos” únicos – monumentos e documentos históricos, obras de arte, equipamentos científicos, etc. –, para além, de uma imensa “carga” de equipamentos e serviços – hospitais, estabelecimentos de ensino, vias de comunicação, penitenciária de alta segurança, aeródromo, etc. –, que implicam uma particular atenção, a somar àquela que a Cidade e o Município exigem no seu todo, seja pela configuração do casco histórico,
pela orografia, pela ocupação do solo, pela estrutura urbana, pelo tecido empresarial, etc.

Tudo isto, que só sinteticamente pode ser referido, leva a concluir que o Protecção Civil é uma área prioritária e, se sabemos que temos uma excelente unidade de bombeiros profissionais – a Companhia de Bombeiros Sapadores –, a verdade é que a qualidade e dimensão dos riscos existentes leva facilmente a concluir que os Bombeiros Voluntários de Coimbra e Brasfemes desempenham um importante papel na segurança e protecção do Município.

Mas se esta conclusão não tem até hoje sido contestada a verdade é que ela também não tem sido suficientemente assumida pela comunidade. Há uma certeza! Quando há um acidente os bombeiros aparecem, sem que no momento seguinte alguém se interrogue sobre as condições em que aquelas mulheres e homens vivem, se preparam e exercem a sua missão. Ninguém pergunta como chegaram ali, quem suporta os combustíveis, a manutenção das viaturas e muito menos qual é a compensação pelo esforço e dedicação voluntária com que se dedicam a esta causa

Este contexto de certeza de acção, conjugada com a existência de uma unidade de bombeiros profissionais, da responsabilidade da Câmara, tem levado a algum alheamento dos cidadãos de Coimbra, dos responsáveis pelo seu tecido económico e social e dos responsáveis políticos pela “sorte” dos Bombeiros Voluntários de Coimbra, que estão instalados naquele que será hoje o pior Quartel de Bombeiros a nível nacional.
Mas este alheamento não pode continuar e os Bombeiros Voluntários de Coimbra precisam de saber de uma vez por todas qual o papel que lhe reconhecem e consequentemente qual o apoio que estão dispostos a dar-lhes.

É esta a razão desta carta aberta.

É que, ou há um sobressalto cívico e político relativamente à actividade e às condições dos Bombeiros Voluntários de Coimbra e se decide colocá-los como uma verdadeira prioridade em termos de apoio consistente, ou então teremos de nos interrogar se merece a pena viver um quotidiano de insuportável desconsideração e pedinchice.
Para que possamos continuar a cumprir a nossa missão com eficácia e competência, recuperar, renovar e ampliar as nossas instalações, concretamente o Quartel, precisamos: em primeiro lugar, do apoio dos cidadãos, garantindo um número de sócios correspondente a 10% da população. Depois, dum apoio anual das empresas, mo âmbito da sua responsabilidade social. Finalmente, que a Câmara assuma, claramente e em tempo útil, um apoio financeiro a realizar com um calendário seguro e respeitado.

Estas são condições que 122 anos de bons e generosos serviços prestados a Coimbra nos permitem apresentar, neste dia da cidade, e para as quais ficamos a aguardar resposta.
Caso os cidadãos, empresários e poder político entendam que somos dispensáveis e que não se justifica o seu apoio então que o digam claramente porque este não é, não pode ser, mais um tempo de enganos. Temos direito a respostas claras e concretas. 

Basta de indefinições!

Coimbra, 4 de Julho de 2011
João Silva
Presidente da Direcção da Associação
Humanitária de Bombeiros Voluntários
de Coimbra

fonte: Jornal BP

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por Diário de um Bombeiro às 00:52


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